
Após a euforia de segunda-feira impulsionada pela tensão geopolítica, o mercado de soja sofreu um “choque de realidade” fundamentalista nesta terça-feira (06). No porto de Paranaguá (PR), principal porta de saída do grão brasileiro, a saca baseada no indicador Cepea/Esalq recuou 1,78%, fechando a R$ 134,71.
O tombo se soma à queda superior a 3% registrada no dia anterior, evidenciando um cenário de forte pressão baixista no mercado físico nacional.
Dois fatores explicam esse movimento. O primeiro é a “boca da safra”: com as colheitadeiras entrando em campo nos grandes produtores (Mato Grosso e Paraná), a oferta física de grãos começa a aumentar, pressionando os prêmios portuários.
O segundo fator é financeiro: o dólar engatou a quarta baixa consecutiva (-0,48%), cotado a R$ 5,3794. A moeda americana mais fraca retira competitividade do produto brasileiro em reais, achatando a remuneração do produtor.
No cenário externo, a Bolsa de Chicago (CBOT) também devolveu os ganhos. Os contratos para março fecharam em baixa de 0,54% (US$ 10,5625/bushel), acumulando agora seis quedas nos últimos sete pregões.
O mercado entendeu que, apesar da prisão de Maduro e da volatilidade do petróleo, os fundamentos de oferta global, com uma super safra sul-americana chegando, pesam mais na balança do que os ruídos políticos.
Referência: Valor Econômico











