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Sanidade

Reino Unido não está preparado para grande surto sanitário, aponta relatório

Auditoria do National Audit Office revela falhas na infraestrutura, planejamento e controle de fronteiras, destacando riscos elevados com doenças como peste suína africana e febre aftosa.

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Reino Unido não está preparado para grande surto sanitário, aponta relatório

Um relatório contundente do National Audit Office (NAO) conclui que o Departamento de Meio Ambiente, Alimentos e Assuntos Rurais (Defra) e a Agência de Saúde Animal e Vegetal (APHA) do Reino Unido não estão suficientemente preparados para um grande surto de doença animal e provavelmente teriam dificuldades para lidar com tal evento. O relatório é publicado em meio à crescente preocupação com os controles de fronteira do Reino Unido, diante da circulação de doenças potencialmente devastadoras, como a peste suína africana (PSA) e a febre aftosa, na Europa.

O NAO destaca que fatores como mudanças climáticas e resistência antimicrobiana estão tornando os surtos de doenças cada vez mais frequentes e o gado mais vulnerável. No entanto, o governo carece de uma estratégia e um plano de ação para melhorar a resiliência às doenças animais. Surtos anteriores tiveram impactos econômicos significativos, como o surto de febre aftosa de 2001, que custou cerca de £13,8 bilhões, e surtos recentes de gripe aviária que resultaram no abate de 7,2 milhões de aves.

O relatório reconhece os esforços do Defra e da APHA na gestão de surtos recentes de média gravidade, mas aponta uma série de desafios que comprometem sua preparação para um surto mais grave. Entre eles, destacam-se:

  • Lacunas significativas nos planos de contingência do governo.
  • Processos operacionais desatualizados e ineficientes dentro da APHA.
  • Infraestrutura obsoleta, especialmente nas instalações de ciência animal em Weybridge, cujo programa de reconstrução só será concluído em 10 anos.
  • Falta de um sistema abrangente de rastreamento da movimentação do gado, apesar de tentativas desde 2013.
  • Escassez de capacidade e habilidades, com uma taxa de vagas veterinárias na APHA de 20% em abril de 2025.

Ameaças à Biossegurança e Resposta Governamental

O Defra e a APHA introduziram iniciativas para fortalecer a resiliência, como o Animal Health and Welfare Pathway, que financia melhorias na saúde animal em fazendas, e pesquisa e inovação para detecção e resposta a doenças. Contudo, o relatório aponta que o progresso é prejudicado por problemas globais no fornecimento de vacinas animais e por ameaças significativas à biossegurança na fronteira. A estimativa do Defra é que apenas 5% das importações de animais vivos da UE e do resto do mundo são atualmente submetidas a controles físicos, muito abaixo da meta de 100% até o final de 2024.

O NAO reconhece que o Defra e a APHA possuem bom conhecimento dos riscos de doenças e mecanismos robustos para coletar informações. No entanto, a resposta a surtos cada vez mais frequentes tem afetado a capacidade das agências de realizar outros trabalhos importantes que fortaleceriam a resiliência a longo prazo, sugerindo que a abordagem atual é insustentável em um cenário de surtos quase constantes.

Gareth Davies, chefe do NAO, afirmou que o Defra avalia que o risco de um surto incontrolável está acima do nível tolerável, mas não definiu como reduzir esse risco. Ele enfatiza a necessidade urgente de uma estratégia e plano de ação de longo prazo para proteger a resiliência econômica nacional, a segurança alimentar, a saúde humana e as comunidades rurais.

Em resposta, a Ministra da Biossegurança, Baronesa Hayman, reiterou o compromisso do governo em manter a biossegurança do país, mencionando medidas como a proibição de importações pessoais de carne e laticínios da Europa e o investimento de £200 milhões em um novo Centro Nacional de Biossegurança. O Defra também destacou o investimento nos laboratórios da APHA em Weybridge e a assinatura de um novo Acordo Sanitário e Fitossanitário (SPS) com a UE.

Jenny Stewart, diretora executiva da APHA, reconheceu o trabalho de sua equipe em proteger a saúde animal e vegetal e gerenciar surtos recentes, agradecendo ao NAO e afirmando que as descobertas serão estudadas detalhadamente para manter o Reino Unido na vanguarda da vigilância e resposta a doenças.

Reações do Setor

Lizzie Wilson, presidente-executiva da NPA, classificou o relatório como “completo e profundamente preocupante”, reiterando preocupações já levantadas sobre a biossegurança nacional e a capacidade de controle de doenças. Ela ressaltou as enormes lacunas nos controles de fronteira e a insuficiência de recursos da APHA, questionando por quanto tempo o governo pode ignorar esse risco. Sir Geoffrey Clifton-Brown, presidente do Comitê de Contas Públicas, ecoou as preocupações, destacando a falta de capacidade, habilidades e estratégia de longo prazo, alertando que sem mudanças, o governo pode não conseguir responder eficazmente a um surto grave.

Referências: The Pig World

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