
A China, maior consumidora e produtora mundial de carne suína, encerrou 2025 com um movimento agressivo de liquidação de plantel. Dados governamentais divulgados nesta segunda-feira mostram que a produção de carne suína disparou 7% no quarto trimestre (outubro a dezembro) em comparação ao ano anterior, atingindo 15,7 milhões de toneladas, o maior volume para o período desde 2018.
Esse aumento não reflete uma demanda aquecida, mas sim uma crise de excesso de capacidade. Com os preços em queda livre (o suíno à vista estava cotado a 12,6 yuans/kg nesta segunda, contra 15,4 yuans um ano atrás), os produtores aceleraram o abate para estancar prejuízos e reduzir o tamanho dos rebanhos. No total de 2025, a China abateu 719,73 milhões de suínos (+2,4%), gerando uma produção anual recorde de 59,38 milhões de toneladas (+4,1%).
Para tentar equilibrar o mercado, as autoridades de Pequim intensificaram a intervenção direta no setor. O governo está pressionando as grandes empresas a reduzir o número de matrizes reprodutoras e a restringir o acesso a crédito e subsídios que estimulavam a superprodução.
Além disso, há uma diretriz técnica para que o peso dos suínos no abate seja mantido em torno de 120 kg, evitando carcaças muito pesadas que aumentariam ainda mais a oferta de carne. Ironicamente, mesmo com todo esse esforço de abate, o rebanho suíno chinês ao final de dezembro ainda registrou um leve aumento de 0,5%, totalizando 429,67 milhões de cabeças, o que demonstra a dificuldade de ajustar esse gigante produtivo.
Segundo Pan Chenjun, analista do Rabobank, a “ressaca” vai durar: os preços podem cair ainda mais brevemente após o Festival da Primavera, com uma recuperação prevista apenas para o final do segundo trimestre ou início do terceiro trimestre de 2026, quando a redução de matrizes finalmente impactar a oferta disponível.
Referência: The Pig Site












