
Um surto de peste suína africana identificado na Catalunha, na Espanha, já provocou impactos econômicos expressivos sobre o setor, mesmo sem registros da doença em granjas comerciais. De acordo com a Unió de Pagesos, principal sindicato agrícola da região, os prejuízos acumulados ultrapassam 60 milhões de euros, refletindo restrições sanitárias, queda de preços e dificuldades no comércio internacional.
Casos em javalis e restrições sanitárias
Desde a confirmação do primeiro foco, no fim de novembro, foram registrados 60 casos positivos do vírus em javalis na área próxima a Barcelona. Apesar disso, testes extensivos não detectaram a presença da peste suína africana nas 57 granjas localizadas em um raio de 20 quilômetros da zona afetada. Ainda assim, medidas preventivas impuseram restrições de movimentação a cerca de 61,5 mil suínos, o equivalente a 10% do plantel da província de Barcelona.
Impactos nas exportações e nos preços
As restrições sanitárias afetaram diretamente as exportações, sobretudo para a China, mesmo após a adoção de acordos de regionalização nas semanas seguintes ao surto. No mercado interno, o impacto foi sentido nos preços: a cotação do suíno vivo na Mercolleida recuou de um pico de 1,815 euro por quilo, registrado no início de julho, para cerca de 1 euro por quilo no começo deste ano.
Segundo estimativas do sindicato, apenas nos meses de novembro e dezembro houve uma queda de 17% no faturamento do setor, levando as perdas totais a aproximadamente 63 milhões de euros até o fim de 2025.
Reação do setor e ajuste produtivo
Diante do cenário adverso, representantes do setor avaliam que ajustes serão inevitáveis. Para o responsável pela área de suinocultura da Unió de Pagesos, Rossend Saltiveri, a continuidade da produção com prejuízo não é sustentável no longo prazo. A tendência, segundo ele, é de reestruturação e redução da produção, como forma de evitar perdas prolongadas.
Pressão por adiamento de regras de bem-estar animal
Além dos impactos econômicos do surto, o sindicato voltou a defender o adiamento de novas regulamentações de bem-estar animal previstas para entrar em vigor nos próximos meses. A entidade já havia conseguido uma moratória de um ano no início de 2025, com o argumento de preservar o potencial produtivo das granjas catalãs, e agora pede a revogação definitiva da medida, cujo prazo se encerra em março.
Burocracia e ferramenta ECOGAN
Outro ponto de preocupação é a implementação obrigatória da plataforma digital ECOGAN, destinada ao monitoramento de poluentes e emissões de gases de efeito estufa nas explorações agropecuárias. A Unió de Pagesos avalia que a ferramenta representa um novo ônus burocrático e defende que ela substitua registros regionais já existentes, evitando sobreposição de exigências ao produtor.
O conjunto desses fatores reforça o clima de incerteza na suinocultura catalã, que enfrenta simultaneamente desafios sanitários, econômicos e regulatórios em um momento de forte pressão sobre sua competitividade.
Referência: Pig World











