Saiba mais sobre como a mutação viral e mortalidade estão afetando a rentabilidade da suinocultura nos Estados Unidos
Mutação viral e mortalidade pressionam rentabilidade da suinocultura Norte-Americana

A suinocultura dos Estados Unidos enfrenta um paradoxo produtivo: mesmo com a adoção massiva de tecnologias modernas e protocolos rigorosos de biosseguridade, os índices de mortalidade continuam a corroer as margens de lucro da atividade. Surtos recentes de enfermidades em polos estratégicos como Iowa e Minnesota evidenciam que a evolução dos patógenos segue desafiando a indústria. Segundo Joel DeRouchey, especialista da Universidade Estadual do Kansas, a situação atingiu níveis de epidemia financeira, com estatísticas alarmantes indicando que aproximadamente um terço dos suínos iniciados no sistema produtivo jamais chega ao mercado.
O cerne do problema reside na capacidade de adaptação biológica dos vírus, especialmente o da Síndrome Reprodutiva e Respiratória dos Suínos (PRRS). “A realidade é que algumas cepas da PRRS sofrem mutações ao longo do tempo, encontrando maneiras de sobreviver mesmo à medida que implementamos tecnologias e protocolos melhores”, explica DeRouchey. Essa persistência viral forçou uma mudança de paradigma na avaliação econômica das granjas. Brad Lawrence, da Novus International, destaca que o foco mudou da simples contagem do tamanho da ninhada para a análise da “carne suína produzida ao longo da vida útil da porca”, uma métrica que considera a longevidade da matriz e a taxa de sobrevivência dos leitões até o abate.
Estratégias de Mitigação: Nutrição e Imunidade
Leia também no Agrimídia:
- •Alibem exporta carne suína para mais de 40 países e comercializa 160 mil toneladas por ano
- •Perfil do consumidor brasileiro muda em 2026 e exige novas estratégias do varejo
- •Europa conscientiza população e produtores: workshops gratuitos para prevenção da Peste Suína Africana
- •Vendas de carne nos EUA atingem recorde histórico de US$ 112 bilhões impulsionadas pelas gerações Millennials e Z
Para blindar o plantel e reverter os prejuízos, a indústria intensificou as pesquisas em duas frentes principais: a segurança do alimento e o manejo da transição das matrizes. Alex Hintz, gerente de serviços técnicos da Novus, aponta que o setor investiga o uso de aditivos na ração capazes de neutralizar vírus como o da PRRS e da Diarreia Epidêmica Suína (PED), impedindo que a dieta se torne um vetor de transmissão.
Paralelamente, o manejo nutricional no período crítico entre a gestação e a lactação ganhou prioridade. Laura Greiner, da Universidade Estadual de Iowa, alerta que essa janela temporal é onde ocorrem as maiores perdas de matrizes. Sem o suporte adequado para fortalecer a imunidade nesse estágio, as taxas de descarte involuntário de leitoas e porcas podem atingir 20%, impactando severamente a sustentabilidade financeira do produtor.
Referência: Pork Business





















