
Enquanto a indústria suinícola global discute tecnologia e sanidade, a pequena vila de Cozvíjar, na província de Granada (Espanha), volta no tempo para celebrar a essência da sobrevivência rural. No próximo dia 26 de janeiro, a cidade realiza a X Feira da Matança (Feria de la Matanza), um evento dedicado a preservar o ritual histórico do abate doméstico de suínos, prática que por séculos garantiu a segurança alimentar das famílias camponesas europeias.
Organizado pela prefeitura de Villamena e comitês locais, o festival recria o ambiente de quando “do porco se aproveitava até o andar”. O evento não é apenas uma demonstração de processamento de carne, mas uma celebração gastronômica e social. A programação inclui a preparação ao vivo de embutidos tradicionais (morcelas e chouriços) e degustações de pratos típicos como o “Guisado de San Antón” e as “Migas”. No ano passado, a festa chegou a produzir um sanduíche gigante de dois metros com os embutidos locais.
O evento também resgata a memória dos métodos artesanais e a união comunitária que marcavam esses dias. Historicamente, o ritual envolvia uma divisão clara de tarefas: enquanto os homens realizavam o abate e a limpeza da carcaça utilizando samambaias secas, as mulheres comandavam os caldeirões de cobre para preparar o arroz e as especiarias da morcela.
Hoje, esse espírito colaborativo se mantém com a inclusão de rotas de caminhada entre vilas e o apoio de entidades como a Fundação Omnia, que utiliza a festividade para apoiar grupos vulneráveis da região.
A iniciativa busca conectar as novas gerações com a memória de moradores como Paquita Vílchez, de 83 anos, que recorda os tempos em que o abate durava quatro dias e envolvia toda a família na conservação de presuntos e paletas para o inverno.
Hoje, o que era uma necessidade vital de subsistência transformou-se em turismo rural e valorização do terroir da região do Valle de Lecrín, atraindo visitantes com música, artesanato e a rica culinária derivada do suíno.












