
Uma disputa comercial está esquentando na fronteira norte-americana. Após o México abrir uma investigação antidumping e antissubsídios em dezembro sobre a importação de presuntos e paletas suínas dos EUA, a Federação Americana de Exportadores de Carne (USMEF) contra-atacou nesta quarta-feira com dados robustos, alegando que o fluxo recorde é fruto de pura demanda de mercado, e não de práticas desleais.
Erin Borror, vice-presidente de Análise Econômica da USMEF, refuta a tese de dumping argumentando que os preços subiram, não desceram. Segundo ela, a “demanda insaciável” do México levou os importadores a pagarem valores acima de outros compradores regionais para garantir o produto. Os números de 2025 impressionam: as exportações americanas para o vizinho ultrapassaram 1,2 milhão de toneladas, gerando uma receita recorde de US$ 2,8 bilhões. Hoje, o México consome sozinho 42% de toda a carne suína exportada pelos EUA.
Para desmontar a acusação de dumping, a USMEF destacou a especificidade industrial da relação comercial. Borror explica que o México é o maior cliente global de presuntos com osso dos EUA, um produto que chega fresco e disponível “24 horas por dia, 7 dias por semana”. Essa logística “just-in-time” se encaixa perfeitamente nas necessidades do vasto setor de processamento mexicano, criando uma dependência técnica e operacional que vai muito além do preço, tornando a substituição desse fornecimento extremamente difícil para as indústrias locais.
Outro argumento macroeconômico apresentado é a estagnação da oferta americana. A produção de carne suína nos EUA atingiu seu pico em 2020 e, desde então, manteve-se relativamente estável. A lógica da defesa é clara: se a produção não aumentou, não há um “excesso” de mercadoria sendo empurrado artificialmente para fora. O aumento das exportações para o México, portanto, ocorre única e exclusivamente porque o comprador está puxando a mercadoria com propostas de compra mais agressivas.
A USMEF aponta ainda um fator sanitário crítico: a indústria mexicana luta internamente contra surtos de PRRS (Síndrome Reprodutiva e Respiratória) e PED (Diarreia Epidêmica), o que reduziu a oferta doméstica e forçou a importação massiva para abastecer as processadoras locais. A entidade afirmou estar trabalhando com o governo americano para provar que o mercado é impulsionado pela necessidade de abastecimento.
Referência: Pork Business












