
Enquanto o mercado externo reaquece com a volta da China, o produtor brasileiro enfrenta um inimigo interno silencioso e caro: o clima. Um novo levantamento aponta que o estresse térmico já causa prejuízos anuais estimados entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões à suinocultura nacional. Nos EUA, as perdas somaram US$ 400 milhões em 2024.
O alerta vem do professor Bruno Silva, especialista em bioclimatologia da UFMG, que aponta o ambiente térmico como o principal fator limitante da produção moderna. O problema é biológico: suínos têm poucas glândulas sudoríparas e uma zona de conforto estreita (16°C a 21°C para matrizes). Com as mudanças climáticas intensificando as ondas de calor, e as fêmeas modernas sendo mais produtivas (o que gera mais calor metabólico natural), o animal entra em colapso, reduzindo o consumo de ração.
O pesquisador detalhou o mecanismo fisiológico por trás desse prejuízo econômico: em situações de calor extremo, o organismo do suíno redireciona o fluxo sanguíneo dos órgãos internos para a pele na tentativa de dissipar temperatura. Esse processo causa uma isquemia no trato gastrointestinal, reduzindo a oxigenação e levando à chamada “síndrome do intestino permeável” (leaky gut).
Com a barreira intestinal comprometida, endotoxinas entram na corrente sanguínea, ativando o sistema imunológico desnecessariamente e desviando a energia que deveria ser usada para a produção de leite ou ganho de peso.
A solução, segundo o pesquisador, passa por uma reengenharia da dieta. É preciso reduzir o “efeito termogênico” da alimentação, ou seja, formular rações que gerem menos calor durante a digestão. A estratégia envolve baixar os níveis de proteína bruta e utilizar aditivos específicos para manter a homeostase.
Referência: Compre Rural












