
A suinocultura alemã, uma das mais tradicionais da Europa, está diante de uma conta impagável para muitos. Um levantamento divulgado pela associação de criadores ISN estima que o setor precisará investir € 4,4 bilhões (aproximadamente R$ 25 bilhões) para se adequar às novas leis de bem-estar animal que banem as celas de gestação e impõem maternidades livres.
O calendário é apertado e o custo é proibitivo. A partir de 2029, o confinamento em áreas de inseminação será proibido; em 2035, o parto livre será obrigatório. Segundo a pesquisa feita com 244 produtores, o custo médio de adaptação chega a € 4.000 por vaga de porca. A explosão nos custos de construção civil nos últimos anos agravou o cenário, fazendo com que o investimento médio para granjas que ainda não iniciaram a transição chegue a € 1,6 milhão.
A análise detalhada dos custos revela que esse peso financeiro cria um gargalo de viabilidade quase intransponível.
A ISN alerta que, com o valor de adaptação atingindo patamares tão elevados, impulsionados pela inflação dos materiais de construção, muitos produtores se encontram em um beco sem saída: não possuem capital próprio para a reforma e enfrentam dificuldades para obter crédito bancário para um setor sob tamanha incerteza regulatória.
Sem “soluções práticas e viáveis” por parte dos políticos, como linhas de financiamento ou subsídios diretos, a modernização torna-se um risco de insolvência.
O resultado esperado é um êxodo massivo. Quase metade dos produtores entrevistados indicou que deve abandonar a atividade quando os prazos de conversão se tornarem iminentes.
Nas zonas de reprodução (prazo 2029), 59% ainda não fizeram nada ou decidiram fechar. Já nas maternidades (prazo 2035), 30% estão incertos e quase 50% devem sair do mercado, o que pode reduzir drasticamente a oferta de carne suína na Alemanha na próxima década.
Referência: Pig Progress











