
O vírus da Influenza A (IAV) é um patógeno respiratório primário de grande relevância em suínos, com potencial zoonótico (VINCENT et al., 2020). O genoma viral é segmentado, composto por oito segmentos lineares de RNA, sendo eles: hemaglutinina (HA), neuraminidase (NA), polimerase ácida (PA), polimerase básica 1 (PB1), polimerase básica 2 (PB2), nucleoproteína (NP), matriz (M), e proteína não estrutural (NS) (GONEAU et al., 2018) (Figura 1). O IAV é classificado em diferentes subtipos com base na antigenicidade de suas glicoproteínas de superfície HA e NA (VAN REETH & VINCENT, 2019). Embora tenham sido detectados 18 subtipos de HA e 11 subtipos de NA em diferentes hospedeiros animais, os subtipos H1N1, H3N2 e H1N2 predominam em suínos globalmente (VAN REETH & VINCENT, 2019; VINCENT et al., 2020). Entretanto, uma grande diversidade genética é encontrada nos vírus de suínos, não apenas nos genes HA e NA, mas também nos outros seis segmentos gênicos.
Muito dessa diversidade genética é resultado da transmis- são bidirecional entre humanos e suínos (NELSON et al., 2012), seguido por períodos de drift (mutação pontual) ou shift antigênico (rearranjo gênico). Com isso, múltiplas linhagens de Influenza A em suínos foram detectadas circulando em diferentes regiões geográficas (ANDERSON et al., 2021). No Brasil atualmente circulam três linhagens virais, H1-1A (clado 1A.3.3.2), linhagem do vírus pandêmico H1N1 (H1N1pdm09), H1-1B (que são os vírus que tem como origem os vírus da influenza humana sazonal; com três clados identificados no Brasil: 1B.2.3, 1B.2.4 e 1B.2.6) e a linhagem H3 (vírus de origem humana, introduzido em suínos no Brasil no final dos anos de 1990), e três genes distintos de NA (N1 pandêmico, N1 de origem humana e N2) (JUNQUEIRA et al., 2023; TOCHETTO et al., 2023)
Em suínos infectados, os sinais clínicos observados são febre, letargia, dispneia e tosse, podendo ocasionar alta morbidade e redução do desempenho produtivo, com perda de peso e aumento da conversão alimentar (CRISCI et al., 2013). Além disso, a hipertermia associada à doença pode induzir abortos em matrizes prenhas (CRISCI et al., 2013; VAN REETH & VINCENT, 2019). A infecção aguda, na ausência de complicações, costuma ter resolução espontânea em cerca de sete dias, com cessação da eliminação viral (SCHAEFER et al., 2013).











