
A assinatura do Acordo de Parceria entre o Mercosul e a União Europeia, realizada nesta sexta-feira (17/1), em Assunção, consolida um dos mais relevantes entendimentos comerciais já firmados entre blocos econômicos. Após mais de 26 anos de negociações, o acordo estabelece uma ampla área de livre comércio que reunirá cerca de 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) superior a US$ 22 trilhões, posicionando-se entre os maiores acordos bilaterais do mundo em termos de população e dimensão econômica.
Mais do que um instrumento de liberalização comercial, o acordo reforça a parceria estratégica entre as duas regiões, sustentada por princípios compartilhados, como a defesa da democracia, do multilateralismo e dos direitos humanos. A iniciativa também se insere na estratégia do governo brasileiro de ampliar e diversificar mercados internacionais, estimulando a geração de emprego, renda e desenvolvimento econômico.
Desde 2023, além do entendimento com a União Europeia, o Mercosul avançou em acordos com Singapura e com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), formada por Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça. Paralelamente, seguem em negociação acordos com Emirados Árabes Unidos, Canadá e Vietnã, bem como a ampliação do acordo de preferências tarifárias com a Índia. O bloco também tem intensificado diálogos comerciais com parceiros estratégicos, como o Japão, com o qual foi recentemente estabelecido um Marco de Parceria Estratégica.
Os Estados Partes do Mercosul — Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai — anunciaram formalmente a assinatura do Acordo de Associação e do Acordo Interino de Comércio com a União Europeia, destacando o caráter histórico da iniciativa, que fortalece não apenas os laços comerciais, mas também as relações políticas e de cooperação entre as duas regiões. Os instrumentos foram assinados pelos ministros das Relações Exteriores do MERCOSUL e pelo Comissário de Comércio e Segurança Econômica, em nome da União Europeia, com a presença de altas autoridades de ambos os blocos.
O acordo estabelece um marco considerado equilibrado e abrangente, voltado à promoção do comércio de bens e serviços, ao estímulo ao investimento e ao desenvolvimento econômico. Para o Mercosul, o principal ganho é o acesso preferencial à União Europeia, a terceira maior economia do mundo, com um mercado de aproximadamente 450 milhões de consumidores e cerca de 15% do PIB global.
Pelos termos acordados, a União Europeia eliminará tarifas para 92% das exportações do Mercosul, estimadas em cerca de US$ 61 bilhões, além de conceder acesso preferencial para outros 7,5%, equivalentes a aproximadamente US$ 4,7 bilhões. Na prática, quase a totalidade das exportações do bloco sul-americano para o mercado europeu passará a contar com condições mais favoráveis, ampliando a competitividade das empresas da região.
Além dos aspectos comerciais, os acordos preveem mecanismos de cooperação em áreas estratégicas, com potencial de impacto positivo no crescimento econômico e social dos países envolvidos. Com a assinatura, o Mercosul reafirma seu compromisso com a integração regional e a cooperação internacional, consolidando uma relação de longo prazo que promete benefícios concretos para cidadãos, empresas e economias dos dois lados do Atlântico.










