Paz comercial? Acordo entre EUA e China traz alívio e otimismo ao mercado de carnes

O avanço das negociações comerciais entre Estados Unidos e China melhora o ambiente do mercado global, trazendo estabilidade ainda que temporária, avalia a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que representa os frigoríficos de aves e suínos do país.
Em nota, a entidade afirmou ontem (12/5) que recebeu positivamente a notícia sobre o acordo temporário entre EUA e China, em meio ao conflito tarifário em vigor. As duas potências globais estão entre os maiores compradores de carnes do Brasil, com a China na liderança.
“Uma guerra tarifária não gera benefícios a nenhuma nação”, disse a associação.
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Washington e Pequin anunciaram mais cedo que chegaram a um acordo para reduzir as tarifas recíprocas. Em declarações após conversas com autoridades chinesas em Genebra, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse que os dois lados concordaram com uma pausa de 90 dias nas medidas.
Com isso, os americanos estão reduzindo as tarifas extras impostas aos chineses neste ano, de 145% para 30%. Enquanto isso, a China concordou em diminuir as tarifas sobre produtos dos EUA de 125% para 10%.
Quando o “tarifaço” do presidente dos EUA, Donald Trump, foi anunciado contra diversos países, no início de abril, uma das expectativas de analistas do mercado e representantes do setor produtivo foi de que poderia vir um eventual aumento de demanda do país asiático pelas carnes do Brasil, em especial a suína.
Fernando Iglesias, analista da consultoria Safras & Mercado, ressaltou que os exportadores brasileiros seguem vendendo mais carne suína neste ano, com participação até menor da China nas compras por enquanto.
“Temos uma perspectiva de mercado em que o Brasil vai seguir exportando grandes quantidades e isso está alheio, inclusive, a essa questão de guerra comercial, disputas tarifárias”, disse o especialista.
“Eu ainda acredito numa exportação recorde para as três proteínas nesse ano, salvo algum problema, alguma ocorrência sanitária. E se porventura as questões comerciais, a guerra comercial, se intensificar, o Brasil tende a ganhar mercado”, acrescentou Iglesias.
Até o momento, a consultoria projeta uma alta de 5,1% para as exportações de carne suína do Brasil neste ano, para 1,37 milhão de toneladas.
Para a carne de frango e a bovina, a expectativa é de aumentos de 5,24% e 2,29%, respectivamente. Os embarques devem somar 5,43 milhões de toneladas de frango e 4,28 milhões de toneladas de carne de boi.
Fonte: Globo Rural





















