
O Brasil está abrindo mão do seu espaço no debate global do agro? O Fórum Econômico Mundial de Davos 2026 voltou a evidenciar, segundo avaliação do consultor Jogi Humberto Oshiai, CBO da Melo Advogados e da M4 Capital e diretor da Oshiai Consultoria e Assessoria Ltda, a diferença entre países que atuam com liderança estratégica no cenário internacional e aqueles que se mantêm fora do centro das decisões que impactam economia, comércio e investimentos.
De acordo com Oshiai, enquanto o presidente da Argentina, Javier Milei, participou do encontro defendendo livre mercado, desburocratização e fortalecimento da produção, o Brasil não marcou presença no evento tradicional. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria optado por não participar do fórum principal, limitando-se à chamada “Davos Latino-Americana”, no Panamá — decisão que, na análise do especialista, envia sinais negativos para o setor mais competitivo e estratégico do país: o agronegócio brasileiro.
No discurso em Davos, Milei defendeu o capitalismo de livre empresa como “o único sistema justo e eficiente” e destacou que promoveu reformas estruturais para abrir espaço a investimentos e fortalecer a economia argentina. Para Oshiai, o movimento também reforça a tentativa da Argentina de se reposicionar no debate econômico global, usando fóruns internacionais como vitrine para ampliar credibilidade e atrair capital.
Competitividade do agro e influência internacional
Na análise do consultor, a ausência do Brasil em um palco como Davos compromete a capacidade do país de defender interesses estratégicos em discussões que envolvem comércio internacional, políticas de sustentabilidade e fluxos globais de investimento. Ele avalia que o agronegócio brasileiro — responsável por parcela expressiva do PIB, das exportações e do superávit comercial — depende diretamente de previsibilidade, segurança jurídica e abertura de mercados.
Oshiai também considera que a priorização de agendas regionais, em detrimento da presença em debates globais, pode enfraquecer a imagem do Brasil como fornecedor confiável de alimentos e commodities. Segundo ele, enquanto outros líderes apresentam propostas concretas em arenas internacionais, o Brasil corre o risco de ficar à margem de definições que influenciam regras, exigências e oportunidades comerciais.
Liderança, estratégia e próximos passos
Oshiai defende que o Brasil precisa retomar protagonismo no agronegócio e no cenário global com uma estratégia clara de participação internacional e valorização do setor produtivo. Na avaliação dele, políticas públicas voltadas à inovação tecnológica no campo e ao fortalecimento do ambiente de negócios são essenciais para ampliar competitividade e garantir espaço do país nas mesas que definem o futuro do comércio mundial.
Para o especialista, o Brasil tem recursos, tecnologia e capacidade humana para liderar a produção de alimentos e a sustentabilidade global, mas precisa de liderança com visão estratégica para não abrir mão de oportunidades internacionais. Ele também destaca a mensagem apresentada por Milei como síntese do discurso liberal em Davos: “regular mata o crescimento”.
Por Jogi Humberto Oshiai, de Bruxelas, capital da União Europeia.











