
O Fórum Econômico Mundial (WEF) 2026, realizado em Davos, na Suíça, marcou uma inflexão importante na forma como o agronegócio e o meio ambiente são tratados no debate internacional. Mais do que setores produtivos ou temas ambientais, agricultura, recursos naturais e sistemas alimentares passaram a ser reconhecidos como infraestrutura econômica essencial para a estabilidade global.
Sob o tema “A Spirit of Dialogue”, o encontro reuniu autoridades políticas, executivos e representantes de organismos internacionais em um momento marcado por instabilidade geopolítica, mudanças climáticas, pressão sobre recursos naturais e insegurança alimentar. Nesse contexto, a agricultura deixou de ser tratada apenas como setor produtivo e passou a integrar o núcleo das discussões econômicas globais. Como destacou o presidente do WEF, Børge Brende, “O diálogo não é um luxo em tempos de incerteza. É uma necessidade urgente”.
Agricultura, água e natureza como ativos estratégicos
Ao longo da programação, ficou evidente a mudança de narrativa: água, solo, biodiversidade e produção de alimentos passaram a ser tratados como ativos econômicos críticos, diretamente ligados à competitividade dos países e à resiliência das cadeias globais. A gestão eficiente desses recursos foi apresentada como condição básica para crescimento sustentável e mitigação de riscos climáticos e sociais.
A agenda destacou que a agricultura moderna depende cada vez mais de inovação tecnológica, dados, biociências e inteligência artificial, reforçando o papel do agro como setor intensivo em tecnologia e conhecimento. A digitalização da produção e a integração entre campo, indústria e mercados globais foram apontadas como caminhos para aumentar produtividade com menor impacto ambiental.
Finanças verdes e restauração ambiental entram no radar
Outro ponto central dos debates foi a chamada finança da natureza. Iniciativas de restauração de áreas degradadas, conservação de ecossistemas e uso de soluções baseadas na natureza ganharam espaço como oportunidades reais de investimento, capazes de atrair capital privado e gerar retorno econômico mensurável.
A discussão também avançou sobre métricas, governança e instrumentos financeiros que permitam transformar sustentabilidade em ativo econômico, conectando produtores, empresas, investidores e governos em uma mesma agenda.
Segurança alimentar e resiliência global
A segurança alimentar apareceu como tema transversal, associada à gestão da água, às mudanças climáticas e às desigualdades regionais. Os debates reforçaram que garantir o abastecimento global de alimentos exige sistemas produtivos mais adaptáveis, eficientes e resilientes, especialmente diante de eventos climáticos extremos e tensões geopolíticas.
Nesse cenário, o agro deixa de ocupar um papel secundário e passa a ser visto como base da infraestrutura econômica global, essencial para a estabilidade social, o crescimento econômico e a segurança dos países.
Nova narrativa para o agro no cenário internacional
A mensagem que emerge de Davos em 2026 é clara: agricultura e meio ambiente não são custos a serem geridos, mas investimentos estratégicos. O reposicionamento do agro como infraestrutura econômica amplia seu protagonismo nas decisões globais e reforça a importância de políticas públicas, inovação e cooperação internacional para o futuro da economia mundial.











