
A empresa internacional de sementes forrageiras e gramíneas Germinal alcançou um marco relevante em seu Pea Protein Project, iniciativa desenvolvida em parceria com alguns dos principais centros de pesquisa do Reino Unido. O projeto conta com apoio financeiro do Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais (Defra) e da Innovate UK e tem como objetivo desenvolver variedades de ervilha com alto teor proteico e sabor neutro, capazes de substituir a soja importada na indústria de alimentos.
O avanço é visto como estratégico para a produção de alimentos de base vegetal, ao mesmo tempo em que fortalece a agricultura britânica e contribui para metas ambientais e de sustentabilidade.
Parcerias científicas e investimento público
Além da Germinal, o projeto reúne o John Innes Centre, o Institute of Biological, Environmental and Rural Sciences (IBERS) da Universidade de Aberystwyth e a Processors and Growers Research Organisation (PGRO). A iniciativa é financiada por um aporte de £ 1 milhão, dentro do programa Farming Innovation Pathway, conduzido pelo Defra e pela Innovate UK.
O foco é desenvolver variedades comerciais de ervilha que possam ser cultivadas de forma sustentável no Reino Unido, reduzindo a dependência de proteínas vegetais importadas.
Redução da dependência da soja importada
Atualmente, o Reino Unido importa entre 3 e 4 milhões de toneladas de soja por ano, grande parte associada a desmatamento e impactos ambientais em outros países. A criação de uma fonte doméstica de proteína vegetal, baseada na ervilha, pode reduzir de forma significativa essa dependência, diminuindo a pegada de carbono e alinhando a produção agrícola a compromissos ambientais globais.
Segundo Roger Vickers, diretor-executivo da PGRO, o projeto tem potencial para introduzir uma nova cultura proteica com ampla aplicação na indústria de alimentos, além de benefícios agronômicos relevantes para os sistemas produtivos.
Avanço no controle do sabor da ervilha
Embora a ervilha apresente bom valor nutricional, seu uso em larga escala na indústria de alimentos sempre foi limitado pelo sabor característico. O avanço do projeto está na utilização de um gene identificado nos anos 1990 pelo John Innes Centre, originalmente encontrado em linhagens silvestres da Índia, capaz de suprimir o sabor residual da ervilha.
Até então, esse gene nunca havia sido incorporado a variedades comerciais. Agora, ele está sendo integrado a materiais com maior teor e qualidade de proteína, ampliando o potencial industrial da cultura.
Benefícios agronômicos e ambientais
Além da questão sensorial, a ervilha oferece vantagens importantes do ponto de vista agronômico. Por ser uma leguminosa, a cultura fixa nitrogênio no solo, reduzindo a necessidade de fertilizantes sintéticos e contribuindo para a melhoria da saúde do solo. Isso a torna uma opção relevante para rotações agrícolas mais sustentáveis e resilientes.
Melhoramento genético e testes de campo
A primeira fase do projeto concentrou-se no melhoramento genético convencional, com a incorporação dos genes ligados ao sabor neutro e ao aumento do teor proteico em linhagens comercialmente viáveis. Essa etapa foi concluída antes do prazo previsto.
O próximo passo envolve a multiplicação de sementes e a realização de ensaios de campo, que irão avaliar o desempenho agronômico das variedades em condições reais de cultivo, além de sua adequação aos processos industriais da cadeia de alimentos.
Perspectiva do setor e agricultura climática
Para Paul Billings, CEO da Germinal UK & Ireland, o projeto representa um avanço duplo: reduz a dependência da soja importada e fortalece a saúde dos solos agrícolas. Já a pesquisadora Claire Domoney, do John Innes Centre, destaca que o uso prático de características genéticas estudadas ao longo de décadas pode gerar benefícios duradouros para a agricultura e a produção de alimentos no Reino Unido.
Mais do que um avanço científico, o Pea Protein Project é apontado como um exemplo de agricultura inteligente do ponto de vista climático, ao combinar inovação, segurança alimentar, sustentabilidade e novas oportunidades econômicas para os produtores rurais.










