
A avicultura de postura europeia enfrenta um momento crítico de desabastecimento, impulsionado por uma nova onda de surtos de Influenza Aviária e Doença de Newcastle que atingiu o continente nos últimos meses. O impacto na produção é severo e imediato: a escassez de ovos no mercado atacadista já é uma realidade palpável em diversos países do bloco, com reflexos diretos na inflação alimentar. Na Polônia, um dos grandes produtores da região, o cenário é de alerta máximo, segundo a Câmara Nacional de Produtores de Aves e Alimentos para Animais (KIPDiP).
Os dados de mercado revelam uma escalada abrupta nos valores. Apenas em outubro de 2025, o preço dos ovos no atacado polonês saltou 12% em relação ao mês anterior. No acumulado anual, a alta é ainda mais expressiva, variando entre 50% e 60% dependendo da categoria do produto. Katarzyna Gawrońska, presidente da KIPDiP, admite que as previsões de estabilização feitas em agosto foram frustradas pela realidade sanitária. “Simplesmente não há ovos. Não conseguimos reconstruir nossos plantéis após os surtos de doenças infecciosas que os dizimaram”, desabafou a dirigente, citando como exemplo o abate recente de 55.000 poedeiras na República Tcheca devido ao vírus H5N1.
Resposta Governamental e Medidas de Biosseguridade
A dificuldade em repor os lotes na velocidade necessária para atender à demanda pressiona toda a cadeia de suprimentos. Diante do risco de um desabastecimento que obrigue o país a recorrer a “importações emergenciais”, o governo polonês mobilizou-se. O Ministro da Agricultura, Stefan Krajewski, anunciou negociações com o serviço veterinário oficial para revisar e endurecer os protocolos de biosseguridade.
O plano de contingência inclui a intensificação da vacinação contra a Doença de Newcastle e o reforço das barreiras sanitárias nas granjas comerciais. Krajewski assegurou que o Estado garantirá indenizações aos produtores afetados, desde que comprovem o cumprimento integral das normas de prevenção. A estratégia visa blindar o setor e evitar que os desafios veterinários continuem a penalizar tanto a rentabilidade do produtor quanto o bolso do consumidor final.
Referência: Poultry World











