
A Associação de Processadores e Comércio de Aves da União Europeia (AVEC) manifestou forte preocupação com a decisão da maioria dos Estados-membros da União Europeia de apoiar o acordo comercial entre a UE e o Mercosul. Para a entidade, a aprovação no Conselho representa um movimento que pode gerar efeitos estruturais e duradouros sobre a avicultura europeia.
Apesar do resultado final, a AVEC reconheceu publicamente os países que mantiveram posição contrária ao acordo, mesmo diante de intensa pressão política nas últimas semanas. Segundo a associação, esses Estados atuaram de forma firme na defesa dos produtores agrícolas europeus, ainda que a resistência não tenha sido suficiente para barrar a decisão no âmbito do Conselho.
Impactos diretos sobre a avicultura da União Europeia
Na avaliação da AVEC, o acordo UE–Mercosul amplia riscos já existentes para o setor avícola, sobretudo quando analisado de forma cumulativa com outros acordos comerciais firmados ou em negociação. Atualmente, mais de 25% da carne de peito de frango consumida na União Europeia é originária de países terceiros.
Com as cotas previstas no acordo com o Mercosul, estimadas em 180 mil toneladas, as importações passariam a representar cerca de 9% do consumo total de carne de aves na UE. Para a entidade, esse volume tende a exercer pressão significativa sobre os produtores europeus, que operam sob alguns dos mais rigorosos padrões globais em termos de segurança alimentar, bem-estar animal, proteção ambiental e exigências sociais.
Críticas a um acordo considerado desequilibrado
A AVEC classifica o acordo como desequilibrado, argumentando que ele não assegura condições justas de concorrência entre os sistemas produtivos. A associação avalia que os custos regulatórios enfrentados pelos produtores europeus não são equivalentes aos exigidos dos países exportadores do Mercosul, o que compromete a competitividade da produção local.
Diante desse cenário, a entidade direciona agora suas atenções ao Parlamento Europeu, que ainda precisa se posicionar sobre o acordo. A AVEC afirma confiar que os eurodeputados irão exercer seu papel institucional e rejeitar um texto que, segundo a associação, não oferece salvaguardas adequadas para setores agrícolas sensíveis, como a avicultura.
Debate jurídico e defesa do processo democrático
Além da rejeição política, a AVEC defende que o Parlamento Europeu avalie o encaminhamento do acordo ao Tribunal de Justiça da União Europeia, buscando maior clareza jurídica sobre pontos centrais do texto. Para a entidade, essa análise é fundamental antes de qualquer avanço no processo de ratificação.
A associação também alertou que uma eventual aplicação provisória do acordo antes da votação parlamentar representaria, em sua avaliação, uma afronta aos princípios democráticos da União Europeia, ao contornar o processo formal de aprovação.
Próximos passos da AVEC
A AVEC informou que irá intensificar o diálogo com os parlamentares europeus nas próximas etapas, com o objetivo de expor de forma detalhada os impactos negativos do acordo sobre os produtores de aves, o emprego no meio rural e a sustentabilidade da produção avícola europeia.
A entidade reforça que permanece aberta ao diálogo institucional, mas destaca que não apoia políticas comerciais que, em sua visão, sacrificam a agricultura europeia em favor de interesses geopolíticos ou comerciais, sem garantir equilíbrio, transparência e concorrência leal.
Referência: Poultry World











