
A indústria de perus enfrenta um inimigo difícil de combater: o reovírus. Embora não cause altas taxas de mortalidade, o impacto econômico é severo. Lotes infectados pesam, em média, de 2 a 4 kg a menos do que aves saudáveis, o que gerou um custo estimado de US$ 33,7 milhões em 2019, afetando cerca de 5,6 milhões de aves. “Não é um vírus que os mata. É um vírus que os deixa mancos”, resume Duane Murphy, presidente do Comitê de Saúde da Federação Nacional de Perus (NTF), destacando a “síndrome da perna rígida” ou claudicação que surge em machos por volta das 13 semanas.
O controle é complexo devido à dupla via de transmissão: vertical (de matrizes para a prole) e lateral (entre lotes). O maior desafio está nas fêmeas reprodutoras, que frequentemente permanecem assintomáticas enquanto disseminam o vírus. Sem tratamentos eficazes e com vacinas comerciais limitadas, a vigilância tornou-se a principal arma. Estratégias recomendadas incluem coleta de fezes desde a primeira semana, exames histológicos de tendões e monitoramento sorológico via ELISA e PCR.
A esperança reside em novas frentes de pesquisa. Um sistema de classificação baseado em três genes, proposto em estudo na revista Frontiers, promete melhorar o rastreamento epidemiológico. Paralelamente, especialistas como Chris Ashworth, da Zinpro, sugerem que a suplementação estratégica com zinco (em complexos de aminoácidos a 80 ppm) pode oferecer proteção antiviral ao bloquear a replicação do vírus. Além disso, a Fundação NTF lançou um prêmio de até US$ 1 milhão para incentivar o desenvolvimento de vacinas e diagnósticos específicos, buscando preencher as lacunas deixadas pela pesquisa avícola generalista.
Referência: Watt Poultry












