
O governo do Reino Unido avançou na agenda de bem-estar animal ao apresentar propostas para eliminar gradualmente todos os sistemas de confinamento coletivo na produção de ovos até 2032. As medidas, anunciadas pelo Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais (Defra), abrangem inclusive os pequenos produtores e integram a primeira etapa das consultas previstas na Estratégia de Bem-Estar Animal divulgada pelo órgão no fim de 2025.
Além da avicultura de postura, o Defra também propôs regras mais rigorosas para práticas consideradas dolorosas na ovinocultura, como a castração e o corte de cauda de cordeiros, procedimentos que, segundo o órgão, ainda são frequentemente realizados sem o uso de analgésicos. As propostas ficarão em consulta pública por oito semanas.
Durante a Conferência Agrícola de Oxford, a secretária do Defra, Emma Reynolds, destacou que essas iniciativas representam apenas o início de uma série de consultas voltadas à melhoria do bem-estar animal nas fazendas britânicas. De acordo com ela, novos debates devem ocorrer ainda em 2026, incluindo temas como os sistemas de parto na suinocultura e o uso de CO₂ em abatedouros, embora sem cronogramas definidos.
Atualmente, os ovos produzidos em sistemas de confinamento enriquecidos respondem por pouco mais de 20% da produção de ovos com casca no Reino Unido. Cada estrutura pode abrigar até 80 aves, com espaço individual equivalente a menos de uma folha A4, conforme dados do próprio Defra. O departamento ressaltou ainda que grandes redes varejistas britânicas, como Sainsbury’s e Aldi, já se comprometeram a não comercializar ovos oriundos desses sistemas, alinhando o mercado às mudanças propostas e à percepção da sociedade sobre bem-estar animal.
Apesar do apoio institucional e do varejo, representantes da avicultura manifestam preocupação quanto à adaptação dos produtores que ainda utilizam sistemas de confinamento, alertando para possíveis impactos na oferta de ovos durante a transição para modelos alternativos de produção.
A ministra da Agricultura, Dame Angela Eagle, afirmou que o governo busca equilibrar bem-estar animal, sustentabilidade e viabilidade econômica. Segundo ela, os consumidores britânicos exigem padrões elevados, e as propostas refletem esse posicionamento ao incentivar sistemas produtivos mais alinhados às expectativas do mercado e da sociedade.
Entidades de defesa do bem-estar animal também avaliaram a iniciativa de forma positiva. Para Anthony Field, diretor de programas da Compassion in World Farming UK, a consulta representa um avanço relevante e esperado há anos. Segundo a organização, a eliminação gradual dos sistemas de confinamento marca um passo decisivo para a superação de modelos considerados incompatíveis com os atuais padrões de bem-estar animal no país.
Referência: Pig World











