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Reflexões sobre o nosso agro para 2026, por Jogi Humberto Oshiai

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Reflexões sobre o nosso agro para 2026, por Jogi Humberto Oshiai


O agronegócio brasileiro chega a 2026 em um momento crítico, no qual a força produtiva do setor colide com um ambiente externo e interno cada vez mais hostil. A produção continua robusta, mas a competitividade está ameaçada por decisões internacionais desconectadas da realidade tropical, políticas internas equivocadas e incerteza política que corroem investimentos e planejamento estratégico. É hora de encarar os fatos: produtividade não basta quando o setor é constantemente penalizado por regras externas e pelo atual governo de Lula que falha em proteger seus próprios produtores.

A COP 30, presidida, infelizmente, por André do Lago, que realizou a FLOP 30 em solo brasileiro, deixou claro que o agro permanece em segundo plano na agenda climática global. Medidas concretas, financiamento adequado e métricas compatíveis com a agricultura tropical simplesmente não apareceram. A retórica de compromisso ambiental não se traduziu em benefícios reais, abrindo espaço para que obrigações onerosas e regulamentos pouco realistas penalizem o Brasil. Em vez de reconhecer a capacidade do setor de produzir de forma sustentável, a conferência reforçou a vulnerabilidade do agro frente a pressões externas.

A União Europeia, com seu Acordo Verde (Green Deal da atual Presidente da Comissão Europeia, Ursula von de Leyen) e a regulação do desmatamento, impõe um padrão rígido que até muitos Estados-membros já questionam. A assinatura do acordo Mercosul–UE permanece incerta, sujeita a retificações, vetos e condicionantes adicionais que podem comprometer sua efetividade. O Brasil corre o risco de ficar à mercê de regras externas, sem segurança jurídica, enquanto produtores enfrentam custos e exigências desproporcionais — e muitas vezes irreais — para manter acesso a um mercado estratégico.

No plano doméstico, a gestão do governo atual tem intensificado problemas estruturais. A condução ideológica de políticas econômicas e ambientais, a insegurança regulatória e a instabilidade fiscal criam um ambiente de incerteza contínua. O setor agropecuário, que deveria ser um vetor de crescimento, vê-se refém de decisões que minam investimentos, dificultam a inovação e afastam oportunidades internacionais. Sem mudanças significativas, o Brasil corre o risco de retroceder na liderança global que conquistou com décadas de muito esforço.

As eleições de 2026 assumem, portanto, caráter decisivo. Mais do que uma troca de liderança, trata-se da necessidade de transformação institucional ampla. O Senado e o Congresso devem ser renovados para restabelecer previsibilidade, racionalidade e visão estratégica de longo prazo. Sem isso, o setor continuará vulnerável a decisões ideológicas, a normas externas punitivas e à instabilidade econômica, comprometendo não apenas colheitas futuras, mas a própria credibilidade internacional do agro brasileiro.

Ao mesmo tempo, o setor precisa reforçar sua capacidade de articulação e comunicação. Demonstrar eficiência produtiva, responsabilidade ambiental e governança sólida é imperativo, não opcional. Quem não ocupa o espaço de definição das regras acabará obrigado a cumpri-las — muitas vezes em desvantagem — e o custo será pago pelo Brasil e pelos produtores.

Encerrando estas reflexões, permito-me uma nota pessoal. Como eu também sou filho de Deus, chegou o momento de tirar mais um período de férias para escapar do frio de Bruxelas e esquentar a alma em Tenerife. Que essa pausa sirva para renovar energias e esperança. Desejo a todos uma entrada com o pé direito e que 2026 nos traga excelentes colheitas — lembrando sempre que colhemos aquilo que semeamos, e que estamos, SEMPRE, semeando para um dia ter um país novamente democrático e justo para todos.

Feliz Ano Novo!

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