
Pesquisadores da Universidade de Washington em St. Louis (EUA) desenvolveram uma ferramenta que promete transformar a biosseguridade global contra a Influenza Aviária. Trata-se de um biossensor capaz de detectar o vírus H5N1 diretamente no ar em apenas cinco minutos, eliminando o intervalo crítico de espera dos métodos tradicionais (como o PCR, que pode levar mais de 10 horas).
A tecnologia chega em um momento crucial, já que o vírus evoluiu recentemente para formas capazes de se espalhar por aerossóis, aumentando o risco de transmissão para mamíferos e humanos, conforme publicado na revista científica ACS Sensors.
O equipamento funciona como uma “sentinela” automatizada. Compacto e do tamanho de uma impressora de mesa, ele utiliza um amostrador ciclônico úmido que captura partículas do ar em alta velocidade. O material coletado é analisado em tempo real por um sensor eletroquímico revestido com anticorpos sintéticos (aptâmeros), que se ligam especificamente às proteínas do vírus.
O sistema é tão sensível que consegue identificar menos de 100 cópias de RNA viral por metro cúbico, alertando os produtores instantaneamente sobre o aumento da carga viral no ambiente antes que o surto se espalhe pela granja.
Para validar a eficácia do equipamento, a equipe realizou testes rigorosos em ambiente controlado. Eles utilizaram uma forma inativada do vírus H5N1, injetando-o no amostrador em diferentes concentrações para medir os limites de detecção. Além disso, o sensor foi exposto a um “coquetel” contendo outras proteínas não relacionadas, presentes naturalmente no ambiente de uma granja.
Os resultados comprovaram a especificidade da tecnologia, que conseguiu distinguir com sucesso o vírus alvo, evitando alarmes falsos causados por partículas comuns do ambiente.
A inovação visa preencher uma lacuna na vigilância sanitária. Atualmente, quando há suspeita de infecção, o produtor depende de laboratórios externos, enfrentando atrasos burocráticos enquanto o vírus se dissemina. Com o novo sensor, a detecção ocorre in loco, permitindo isolamento imediato.
A tecnologia, que foi financiada pelo Flu Lab e desenvolvida com apoio da Varro Life Sciences, já está sendo preparada para viabilidade comercial e pode ser adaptada para detectar outros patógenos, como H1N1 e SARS-CoV-2, consolidando-se como uma plataforma versátil de monitoramento aéreo.
Referência: Compre Rural












