
Duas potências do agronegócio brasileiro oficializaram, nesta semana, uma aliança estratégica que coloca a teoria da economia circular em prática no campo. A Bunge (gigante das commodities) e a Mantiqueira Brasil (líder na produção de ovos) firmaram uma parceria comercial focada em agricultura regenerativa.
O acordo funciona como uma via de mão dupla sustentável: a Bunge fornecerá 12 mil toneladas de farelo de soja 100% rastreável (livre de desmatamento) para compor a ração das aves da Mantiqueira. Em contrapartida, a Mantiqueira destinará à Bunge seu fertilizante orgânico (produzido a partir do esterco das galinhas poedeiras, através de sua unidade de negócios Solobom).
Além do ganho operacional, a iniciativa ataca um ponto nevrálgico da sustentabilidade agrícola: a pegada de carbono. Ao substituir fertilizantes químicos minerais pelo adubo orgânico “Solobom”, a Bunge consegue reduzir as emissões de gases de efeito estufa em suas lavouras de soja.
Simultaneamente, a Mantiqueira garante que a proteína que alimenta suas aves venha de áreas sem desmatamento, criando um produto final (o ovo) com atributos de sustentabilidade verificáveis, algo cada vez mais exigido por investidores e consumidores atentos às práticas ESG.
A Bunge já iniciou testes aplicando 100 toneladas desse adubo orgânico em suas áreas de cultivo, visando melhorar a saúde biológica do solo. “Nosso papel é transformar os dejetos das aves em ativo, gerando uma retroalimentação do ecossistema”, explicou Leandro Testa, diretor da Mantiqueira. Para a Bunge, que já gerencia 345 mil hectares em programas regenerativos no Brasil, a parceria fecha o ciclo da cadeia, agregando valor ao grão que será consumido pelas próprias aves que geraram o adubo.
Referência: Valor Econômico











