
O estado do Kansas enfrenta atualmente o cenário mais crítico de influenza aviária altamente patogênica (IAAP) nos Estados Unidos. Dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) indicam que quase 414 mil aves já foram afetadas, tornando o estado o principal foco da doença no país nas últimas semanas.
A IAAP é um termo que engloba cepas altamente contagiosas da gripe aviária, como os subtipos H5 e H7, com impacto severo sobre a avicultura comercial e de subsistência. Embora represente baixo risco à saúde pública, as autoridades sanitárias norte-americanas reconhecem a possibilidade de transmissão a humanos em situações específicas, especialmente em trabalhadores com contato direto com aves infectadas, conforme informações dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).
Concentração dos casos e impacto na avicultura
Segundo o USDA, até a última sexta-feira foram confirmados quatro focos em granjas comerciais e seis em criações domésticas no Kansas. A taxa de mortalidade da doença é extremamente elevada, podendo chegar a quase 100% das aves infectadas.
A maior parte dos casos está concentrada em uma operação avícola comercial no condado de Pottawatomie, onde aproximadamente 380 mil aves foram atingidas. Em um panorama nacional dos últimos 30 dias, o Kansas aparece como o estado com a situação mais grave, seguido por Indiana, que contabiliza cerca de 87 mil aves afetadas.
Situação sanitária e vigilância
De acordo com o CDC, o Kansas não registrou casos da doença em humanos até o momento. Em todo o país, desde 2024, foram confirmados 74 casos humanos de gripe aviária, com dois óbitos associados.
Autoridades estaduais avaliam que o comportamento do surto em 2026 segue um padrão semelhante ao observado em anos anteriores. Dezembro e janeiro continuam sendo os meses mais críticos desde o início da atual onda da doença, em 2022. Ainda assim, a expectativa é de que os casos comecem a diminuir nas próximas semanas, acompanhando a tendência registrada em ciclos anteriores.
Aves migratórias no centro da disseminação
O Departamento de Agricultura do Kansas aponta que a principal via de disseminação do vírus neste ciclo tem sido o contato com aves aquáticas selvagens migratórias, que atuam como reservatórios naturais do patógeno. Diante disso, as autoridades reforçam orientações de biosseguridade, recomendando que produtores evitem qualquer contato entre aves domésticas e ambientes frequentados por aves silvestres.
Além das ações preventivas, quando um foco é confirmado, o Estado atua diretamente com o produtor para implementar quarentena imediata, medidas sanitárias rigorosas e um plano de recuperação de longo prazo, visando conter a disseminação do vírus e reduzir os impactos sobre a cadeia produtiva avícola.
O avanço da influenza aviária no Kansas reforça o alerta para a importância da vigilância sanitária contínua e do cumprimento rigoroso das práticas de biosseguridade na avicultura norte-americana.











