
O mercado internacional de aves sofreu um revés nesta quinta-feira (15). O governo do Iraque anunciou e colocou em vigor, a partir de hoje, uma proibição temporária às importações de aves. A medida protecionista visa incentivar o desenvolvimento dos 1.200 avicultores locais registrados (excluindo a região do Curdistão), tentando revitalizar um setor devastado por anos de conflitos armados e incertezas econômicas.
Para o Brasil, a notícia acende um sinal de alerta. O Iraque é o 9º maior importador mundial de carne de aves (compras de US$ 808 milhões em 2024), tendo o Brasil, a Turquia e os Estados Unidos como seus principais fornecedores. O Ministério da Agricultura iraquiano defende a medida como “uma das ferramentas mais eficazes” para garantir a autossuficiência nacional e ajudar cidadãos que perderam seus negócios a reiniciarem os ciclos de produção.
No entanto, o timing da decisão é arriscado. Especialistas locais temem uma disparada na inflação dos alimentos, já que a proibição ocorre no período que antecede o Ramadã, época em que o consumo de proteína animal tradicionalmente aumenta.
Além do risco inflacionário, há dúvidas sobre a viabilidade técnica da medida. Observadores do mercado local alertam que o simples bloqueio de fronteiras não resolve os gargalos estruturais da avicultura iraquiana.
Especialistas pedem que o governo foque em “soluções sistêmicas”, como garantir o fluxo constante de vacinas e aditivos para ração, insumos essenciais que muitas vezes faltam no país. Sem um suporte direto para reduzir a diferença de custo entre o frango nacional e o importado, a proibição pode acabar sufocando o consumidor sem necessariamente salvar o produtor descapitalizado.
Referência: Poultry World











