
A celebração brasileira durou pouco sem resposta do outro lado do Atlântico. A AVEC (Associação de Processadores e Comércio de Aves da UE) emitiu um comunicado duro, afirmando que “deplora veementemente” a decisão dos Estados-membros da UE de aprovar o acordo comercial com o Mercosul na semana passada.
A entidade soou o alarme de que o tratado trará “consequências significativas e duradouras” para o setor produtivo europeu.
O argumento central da AVEC é a matemática do mercado: atualmente, mais de 25% do peito de frango consumido na Europa já vem de fora. Com a nova cota de 180.000 toneladas concedida ao Mercosul, a entidade calcula que as importações totais saltarão para representar 9% de todo o consumo de aves da UE.
“Isso exercerá uma pressão insustentável sobre os produtores europeus”, diz a nota, reiterando a velha retórica de que os sul-americanos não seguem os “mais elevados padrões mundiais” de segurança alimentar, bem-estar animal e normas sociais que a UE impõe aos seus.
A batalha, no entanto, não terminou. Para entrar em vigor, o acordo ainda precisa ser ratificado pelo Parlamento Europeu. É lá que a AVEC aposta todas as suas fichas agora, fazendo lobby intenso para que os parlamentares rejeitem o texto aprovado pelos governos nacionais. O cenário desenha uma guerra política: de um lado, a necessidade geopolítica e de segurança alimentar da UE; do outro, o protecionismo ferrenho de seus agricultores.
Referência: Poultry News












