
A avicultura norte-americana começa 2026 em estado de alerta máximo. O estado de Iowa, maior produtor de ovos dos EUA, confirmou seu primeiro caso de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) do ano. O foco foi identificado em uma propriedade no condado de Kossuth, afetando um plantel misto de 7.000 faisões e 120 galinhas caipiras. Embora seja um lote pequeno, a confirmação em Iowa acende a luz vermelha devido à densidade avícola da região.
No entanto, o cenário nacional é ainda mais preocupante. Dados do APHIS (Serviço de Inspeção de Saúde Animal e Vegetal dos EUA) revelam que, somente nos primeiros 26 dias de janeiro, o vírus H5N1 já atingiu mais de 1,1 milhão de aves.
Os estados de Minnesota e Kansas concentram as maiores perdas, mas a dispersão geográfica do vírus assusta: nesta mesma semana, foram confirmados focos em granjas comerciais de frango de corte em Delaware e, criticamente, em uma unidade de reprodução (matrizes) na Geórgia, o maior estado produtor de frangos do país.
O caso registrado na Geórgia merece atenção redobrada do mercado, pois atingiu uma unidade de reprodução. Diferente do abate de frangos de corte, a perda de um lote de matrizes gera um “efeito cascata” na cadeia produtiva, interrompendo o fornecimento de pintinhos de um dia e criando lacunas de oferta que podem levar meses para serem corrigidas.
Sendo a Geórgia o coração da avicultura de corte americana, qualquer instabilidade sanitária no estado tem potencial imediato para pressionar os preços da carne no atacado e impactar a logística de distribuição nacional.
Além disso, a persistência do vírus pelo quarto ano consecutivo, somando quase 200 milhões de aves abatidas desde 2022, sinaliza uma mudança estrutural no risco sanitário norte-americano.
Especialistas apontam que a Influenza Aviária deixou de ser um evento estritamente sazonal, ligado apenas às rotas migratórias de primavera e outono, para se tornar uma ameaça quase endêmica.
Essa nova realidade obriga os produtores a manterem protocolos de “guerra” em biosseguridade de forma permanente, o que eleva o custo fixo de produção e exige investimentos contínuos para tentar blindar os plantéis comerciais da fauna silvestre.
Desde o início da crise sanitária, os EUA já contabilizam perdas massivas. A recorrência dos surtos sustenta a volatilidade nos preços de ovos e carne de frango, além de manter ativas as barreiras comerciais impostas por importadores.
O USDA reforçou o pedido para isolamento imediato de aves suspeitas e controle rigoroso de acesso às granjas, destacando que a detecção precoce é a única ferramenta capaz de limitar os danos econômicos.
Referência: CNN Brasil












