
A biosseguridade e a produção devem caminhar juntas de forma indissociável nos sistemas de criação animal. Em um modelo ideal, a proteção sanitária é requisito essencial para garantir o ambiente produtivo, enquanto o desempenho do lote depende diretamente da sua sanidade. Na perspectiva da Qualidade Total, a biosseguridade é parte fundamental da produtividade, e não um fator secundário.
Nas granjas integradas e cooperativas, essa conexão entre as áreas de biosseguridade e produção precisa ser efetiva. Embora indicadores como conversão alimentar, ganho de peso e rendimento de carcaça sejam, historicamente, os principais parâmetros de desempenho, a busca por resultados rápidos não pode comprometer a sanidade do plantel. Produtores e extensionistas devem encarar a saúde dos animais como investimento e adotar protocolos sanitários com entendimento epidemiológico, transformando a biosseguridade em uma verdadeira cultura, integrada à cadeia de valor, e não apenas em um conjunto de regras.
Na prática, essa integração se reflete em ações conjuntas, como a participação dos gerentes de produção na análise de riscos sanitários, a avaliação de extensionistas pela conformidade das condições de sanidade e o investimento contínuo em monitoramento, vigilância e investigação epidemiológica. A comunicação entre os setores também é determinante: ao introduzir cama nova no galpão, por exemplo, é necessário verificar a origem e o processo de descontaminação; surtos de doenças em lotes vacinados devem gerar ajustes de manejo; e problemas subclínicos, como a disbiose, precisam ser investigados para identificar impactos no microbioma e no desempenho.
Empresas mais modernas têm demonstrado bons resultados ao adotar práticas integradas. Nessas organizações, a produção compreende que “sanidade é desempenho” e envolve a área de biosseguridade no planejamento técnico das granjas. Além disso, a modelagem preditiva é utilizada para correlacionar eventos sanitários e produtivos, antecipando falhas e identificando oportunidades de melhoria com base em dados históricos, modelos estatísticos e algoritmos. Outro avanço importante é a integração de informações de sanidade e produção em dashboards comuns, reunindo indicadores e métricas em um único painel visual.
Fortalecer essa comunicação e integração é um desafio e, ao mesmo tempo, uma oportunidade para os sistemas de produção animal, especialmente na avicultura e suinocultura. Embora protocolos já existam, é possível avançar para uma abordagem mais estratégica, sustentada por indicadores, análise preditiva e pela consolidação de uma cultura de qualidade que una biosseguridade e produtividade.











