
Uma crise de confiança eclodiu entre os avicultores do Reino Unido e o governo britânico nesta terça-feira. A Associação Britânica de Produtores de Ovos Caipiras (BFREPA) manifestou “profunda decepção” após o anúncio de que o acordo comercial com a Ucrânia foi prorrogado por mais dois anos, sem a imposição de qualquer sistema de cotas para limitar a importação de ovos.
O cerne da revolta é a assimetria de custos e padrões. Enquanto os produtores britânicos operam sob algumas das legislações de bem-estar animal e segurança alimentar mais rígidas (e caras) do mundo, os ovos ucranianos chegam ao mercado com custos menores e, segundo a BFREPA, padrões inferiores.
A associação denuncia que embalagens do produto importado chegam a trazer o rótulo “não conforme ao padrão do Reino Unido”, mas continuam entrando livremente.
O temor é que esses ovos baratos inundem o setor de processamento e food service (ingredientes para bolos, massas, etc.), onde a origem do produto raramente é visível para o consumidor final. James Baxter, presidente da BFREPA, classificou a decisão como uma “opção fácil” política que sacrifica as empresas familiares britânicas em nome do apoio geopolítico.
“Apoiamos o povo ucraniano contra a invasão russa, mas esse suporte deve vir da tributação geral, e não às custas da falência dos nossos produtores”, afirmou.
A entidade alerta que as salvaguardas prometidas pelo governo são ineficazes, com gatilhos de acionamento muito altos e baseados em dados defasados, o que significa que o prejuízo financeiro chegará às granjas muito antes de qualquer intervenção oficial.
Referência: Poultry News












