
José Roberto Bottura, diretor técnico da Associação Paulista de Avicultura (APA) e coordenador do Congresso de Produção e Comercialização de Ovos
- Como avalia os principais resultados do Congresso APA 2025 em termos de participação, inovação e impacto para o setor avícola?
O Congresso APA 2025 superou nossas expectativas. Tivemos uma participação expressiva de profissionais de todas as regiões do país, além de representantes internacionais, o que reforça o prestígio e a relevância do evento no calendário da avicultura. Os temas abordados trouxeram inovações tecnológicas e discussões estratégicas, especialmente no campo da nutrição, sanidade e gestão. Sem dúvida, o congresso consolidou-se como um importante motor de atualização e conexão para o setor.
- Quais foram os temas mais debatidos durante o evento e como eles refletem as demandas atuais da avicultura brasileira, especialmente no segmento de postura?
A biosseguridade, o bem-estar animal, a qualidade do ovo e os desafios relacionados ao custo de produção estiveram no centro das discussões. Também demos grande destaque às novas tecnologias aplicadas à nutrição e manejo. Esses assuntos refletem diretamente o momento vivido pela avicultura brasileira, que precisa se adaptar a um mercado cada vez mais exigente em termos de sustentabilidade, eficiência e rastreabilidade. O segmento de postura, em especial, demanda um equilíbrio entre produtividade e responsabilidade socioambiental.
- Na sua visão, qual tem sido a posição do estado de São Paulo no apoio ao desenvolvimento da avicultura de postura? Existem políticas ou iniciativas que merecem destaque?
São Paulo tem uma posição estratégica na avicultura de postura nacional, não apenas pelo volume de produção, mas também pela base técnica e infraestrutura disponível. Iniciativas como o Programa Estadual de Sanidade Avícola, a atuação da CDA e o fortalecimento da integração entre academia, setor produtivo e governo têm sido fundamentais. A APA tem dialogado ativamente com as autoridades estaduais para garantir que as políticas públicas atendam às reais necessidades do produtor.
- Como o senhor enxerga o futuro da produção de ovos no Brasil? Quais os principais desafios e oportunidades para o setor nos próximos anos?
O Brasil tem tudo para se consolidar como um dos grandes fornecedores de ovos para o mundo. Temos competência técnica, escala produtiva e um mercado interno robusto. No entanto, precisamos avançar em alguns pontos: acesso a mercados internacionais, maior valorização do produto no mercado interno, estabilidade regulatória e enfrentamento de doenças emergentes. A rastreabilidade, a transparência e a comunicação com o consumidor também serão diferenciais importantes.
- O que a APA espera alcançar com os próximos congressos e como pretende contribuir para a profissionalização e sustentabilidade da avicultura nacional?
Nosso objetivo é claro: ser uma plataforma de conhecimento, integração e inovação para toda a cadeia da avicultura de postura. Queremos, com cada edição, fomentar a troca de experiências, aproximar academia e indústria e impulsionar práticas sustentáveis. A APA acredita que somente com informação de qualidade e articulação entre os diversos elos do setor será possível enfrentar os desafios do futuro com resiliência e responsabilidade.











