
A pequena Paranaíta, localizada a 840 km de Cuiabá e com apenas 12 mil habitantes, protagoniza uma revolução silenciosa nas águas do Mato Grosso. O município saltou para a 14ª posição no ranking estadual de produção de peixes, alcançando a marca de 928,95 toneladas ao ano.
Esse desempenho coloca a cidade como referência na piscicultura de água doce, contribuindo para as 41,66 mil toneladas que consolidam o estado entre os dez maiores produtores do país.
O “segredo” do sucesso não foi sorte, mas método. Há cinco anos, uma parceria entre a Prefeitura, produtores rurais e o Sebrae/MT transformou uma atividade amadora em negócio profissional. Em 2018, eram apenas nove produtores somando 107 toneladas.
Hoje, cerca de 70 famílias são atendidas pela consultoria técnica e respondem por um terço da produção local. A virada de chave envolveu gestão de custos e logística: com apoio da prefeitura para buscar insumos na fábrica e negociação coletiva, o custo da ração caiu 50%, viabilizando a margem de lucro.
O engenheiro de pesca Jailson Baumgartner, consultor do Sebrae, destaca que a introdução de biometria, análise de água e manejo profissional acabou com o amadorismo do “só jogar o peixe na água”.
O resultado é visto na ponta: produtores como Severino de Carvalho, que antes produziam para subsistência, hoje vendem semanalmente para frigoríficos e pesque-pagues, planejando dobrar a estrutura. “Tem mais produtor querendo entrar do que a capacidade atual do programa”, celebra o prefeito Osmar Mandacarú, evidenciando que a piscicultura virou vetor de desenvolvimento social em Paranaíta.












