
A agenda do agronegócio brasileiro foi marcada, nos últimos dias, por uma combinação de alertas sanitários, projeções positivas de produção e movimentos estratégicos das cadeias de proteínas.
O Ministério da Agricultura (Mapa) confirmou um novo foco de Influenza Aviária em Mato Grosso, reforçando a importância das medidas de biosseguridade e vigilância sanitária, especialmente em um momento de expansão das exportações do setor avícola.
No campo da produção agrícola, a Conab elevou a projeção da safra 2025/26, estimando que a produção total de grãos pode alcançar 353,1 milhões de toneladas, impulsionada principalmente por soja e milho. O volume recorde reforça o papel do Brasil como fornecedor global de alimentos e insumos para as cadeias de proteína animal.
Entre os segmentos produtivos, a suinocultura de Mato Grosso do Sul encerrou 2025 em expansão, com expectativa de avanço das exportações em 2026, apoiada por investimentos, ganhos de eficiência e maior demanda externa. Apesar disso, o mercado interno segue pressionado: os preços do suíno vivo recuaram em quase todas as praças, movimento atribuído ao consumo mais fraco, enquanto as exportações sustentam embarques próximos de 5,1 mil toneladas por dia.
Na avicultura, os dados também são positivos. A avicultura de postura de São Paulo cresceu 7% em 2025, com destaque para a ampliação de 19% nas exportações de ovos, refletindo competitividade, sanidade e abertura de novos mercados internacionais.
No cenário global, porém, persistem sinais de incerteza. A ausência do Brasil em debates centrais do Fórum Econômico Mundial de Davos 2026 acendeu um alerta para o agronegócio, especialmente diante da crescente associação entre produção de alimentos, sustentabilidade e geopolítica. Esse ambiente externo mais complexo foi reforçado pela decisão do Parlamento Europeu de adiar o avanço do acordo União Europeia–Mercosul, ampliando dúvidas para exportadores brasileiros quanto a prazos e condições de acesso ao mercado europeu.
Em meio a esse contexto, iniciativas de inovação ganham espaço. A Tagat FoodTech, lançada por Edata e SAG, surge como um ecossistema “one-stop shop” voltado à cadeia de proteínas, com a proposta de integrar dados, tecnologia e inteligência de mercado para apoiar decisões estratégicas do setor.
O conjunto desses movimentos mostra um agronegócio brasileiro que avança em produção e tecnologia, mas que segue atento aos desafios sanitários e às incertezas do comércio internacional.











