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Cop 30

Brasil leva à COP 30 proposta de paz global por meio de agricultura sustentável

Enviado do agro brasileiro defende que o país use sua força produtiva e ambiental para garantir segurança alimentar e combater

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Brasil leva à COP 30 proposta de paz global por meio de agricultura sustentável

O Brasil levará uma mensagem central à Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que ocorre em Belém (PA) de 10 a 21 de novembro: a agricultura tropical sustentável é a solução para quatro dos maiores desafios globais. O porta-voz desta tese será o ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, nomeado um dos enviados especiais do setor para o evento. Ele defenderá o modelo brasileiro como a principal ferramenta para garantir a segurança alimentar, combater as mudanças climáticas, viabilizar a transição energética e reduzir a desigualdade social.

Durante um evento em Santa Catarina, Rodrigues detalhou o contexto de “nova desordem mundial” que torna essa pauta urgente. Segundo ele, o enfraquecimento de instituições multilaterais como a ONU, a FAO e a OMC abriu espaço para o que ele chama de “quatro cavaleiros do apocalipse moderno”: a fome, a crise energética, a desigualdade e as mudanças climáticas. O documento que o Brasil prepara para a COP30 contará a história de sucesso do agro nacional nas últimas cinco décadas, provando que é possível enfrentar esses desafios com tecnologia.

O argumento brasileiro é sustentado por números. Rodrigues cita que o salto produtivo do país, que há 50 anos importava 30% dos alimentos que consumia e hoje exporta para quase 200 países, é resultado direto da ciência aplicada ao campo, liderada por instituições como Embrapa e Epagri. Esse avanço permitiu que as exportações do setor saltassem de US$ 20 bilhões em 2000 para US$ 165 bilhões em 2024. A proposta de Rodrigues é que o Brasil lidere um movimento global, compartilhando sua tecnologia tropical com outras nações da América Latina, África Subsaariana e Ásia.

Questionado sobre a viabilidade dessa transferência de conhecimento, o ex-ministro defende que o Brasil deve oferecê-la “gratuitamente”, mas condiciona o sucesso a duas ações globais: financiamento internacional para que países pobres possam implementar as inovações e a flexibilização das regras de comércio, hoje distorcidas por subsídios de nações ricas. Rodrigues também abordou as críticas ambientais, afirmando que concorrentes internacionais usam crimes isolados, como desmatamento ilegal e garimpo, que são “culpa de criminosos e aventureiros”, não do produtor rural, para manchar a imagem de todo o setor.

Analisando o cenário interno, o enviado especial destacou o desafio da dependência de fertilizantes (85% do consumo é importado), um processo que, segundo ele, levará de 10 a 15 anos para ser reduzido à metade. Em contrapartida, celebrou o avanço do etanol de milho, que considera um “ciclo virtuoso”. O crescimento da produção do biocombustível a partir do grão gera o DDG, um farelo altamente proteico que substitui o milho na ração animal. “O resultado é energia limpa e proteína de alta qualidade, com custo competitivo”, concluiu Rodrigues.

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