Avanços no acordo Mercosul–União Europeia, expansão empresarial no Paraguai, projeções positivas para exportações de carnes e atenção a custos, mão de obra e biosseguridade marcam o cenário recente do setor
Brasil amplia presença internacional enquanto agronegócio enfrenta desafios e vê novas oportunidades

Quais foram os principais fatos que marcaram a semana do agronegócio brasileiro? O período foi marcado por transformações relevantes no ambiente de negócios, com reflexos diretos nas cadeias produtivas.
Empresários brasileiros formalizaram a criação de uma câmara empresarial no Paraguai, com sede em Ciudad del Este, com o objetivo de fortalecer relações bilaterais, estimular investimentos e ampliar oportunidades comerciais entre os dois países.
No campo internacional, o Acordo Mercosul–União Europeia avançou após mais de duas décadas de negociações e abriu caminho para a implementação de um acordo comercial interino. A expectativa é que parte dos benefícios, como a redução de tarifas e a facilitação do comércio, possa entrar em vigor já em 2026, impulsionando o fluxo comercial entre os blocos.
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Com a perspectiva de maior integração global, as projeções para o setor de proteínas animais são positivas. Estimativas do Ipea indicam que o acordo pode adicionar cerca de US$ 3 bilhões às exportações brasileiras de carnes, com crescimento de até 19% nos embarques de aves e suínos, além de impactos favoráveis também para a carne bovina.
No âmbito regional, o agronegócio paulista encerrou 2025 com superávit aproximado de US$ 23 bilhões, consolidando sua relevância na balança comercial brasileira e demonstrando resiliência mesmo diante de um cenário internacional mais competitivo.
Os custos de produção seguiram em trajetórias distintas entre as cadeias. Enquanto a avicultura registrou queda de 2,8% nos custos ao longo do ano, favorecida pela redução nos preços da ração, a suinocultura enfrentou alta de 4,4%, pressionada principalmente pelas despesas com alimentação animal.
Outro ponto de atenção foi a dependência de mão de obra migrante, especialmente venezuelana, nos frigoríficos brasileiros. O setor acompanhou de perto o cenário migratório, diante do risco de impactos operacionais e de oferta de trabalhadores.
Além dos aspectos econômicos, as questões sanitárias permaneceram estratégicas. A adoção da biosseguridade sindrômica na avicultura de corte ganhou espaço como ferramenta fundamental para a prevenção de doenças e para a manutenção da competitividade produtiva.
Por fim, o avanço das negociações com a União Europeia também foi visto como uma oportunidade para ampliar a presença da carne suína brasileira no mercado europeu, ainda que o setor reconheça os desafios impostos por exigências sanitárias rigorosas e pela concorrência com produtores locais.



















