Mulheres agricultoras de Paraipaba e da comunidade indígena Tremembé da Barra do Rio Mundaú, em Itapipoca participaram de um encontro voltado à valorização de saberes no campo, com foco na apresentação dos resultados do estudo “Gênero, território e associativismo rural”. A iniciativa foi conduzida pela Embrapa Agroindústria Tropical, com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), no contexto das ações do Projeto Solaris.
Realizado no início de março, em alusão ao Mês da Mulher, o encontro buscou fortalecer a conexão entre ciência, protagonismo feminino, território e práticas tradicionais, promovendo a troca de experiências entre agricultoras e pesquisadoras.
Pesquisa evidencia impacto do associativismo na autonomia feminina
Desenvolvido no âmbito da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), o estudo identificou que o fortalecimento da Associação das Mulheres Agricultoras de Paraipaba está diretamente relacionado ao aumento da visibilidade e ao acesso a oportunidades para as participantes.
Com abordagem antropológica, a pesquisa destaca o papel dos conceitos de território e territorialidade, incorporando a dimensão afetiva como elemento central para compreender o sentimento de pertencimento e a construção coletiva das ações desenvolvidas no campo.
Práticas produtivas reforçam geração de renda e permanência no campo
Entre os principais resultados, destacam-se estratégias cotidianas que contribuem para a autonomia das mulheres, como o uso de quintais produtivos, a organização coletiva para comercialização em feiras e o acesso a políticas públicas de aquisição de alimentos, especialmente voltadas à alimentação escolar.
Essas iniciativas ampliam a geração de renda e reforçam a presença das mulheres no meio rural, consolidando práticas sustentáveis e fortalecendo o papel social das agricultoras nas comunidades.
Associação amplia reconhecimento e organização coletiva
Atualmente, a associação reúne cerca de 40 mulheres, que têm alcançado maior autonomia econômica e reconhecimento social por meio da organização coletiva. O estudo também evidencia que o vínculo com o território e com a própria associação é fator determinante para a coesão do grupo e a continuidade das ações.
Projeto Solaris impulsiona formação e inclusão produtiva
O Projeto Solaris – Mulheres e Meninas na Ciência atua na concessão de bolsas para mulheres e jovens de comunidades agrícolas e indígenas nos vales dos rios Curu e Aracatiaçu. A iniciativa tem como foco a capacitação acadêmica, a transferência de tecnologias sustentáveis e o fortalecimento do desenvolvimento local.
Além da Embrapa, o projeto conta com a parceria da Universidade Federal do Ceará (UFC), da própria Unilab e do Centro de Estudos do Trabalho e de Assessoria ao Trabalhador e a Trabalhadora (CETRA), além de instituições de ensino da região.
A iniciativa reforça a importância da integração entre pesquisa científica e práticas territoriais, promovendo inclusão produtiva e ampliando o protagonismo feminino no agro brasileiro.
Referência: EMBRAPA