
A adaptação da suinocultura alemã às novas exigências de bem-estar animal pode demandar investimentos estimados em € 4,4 bilhões, segundo levantamento divulgado recentemente pela Associação Alemã de Criadores de Suínos (ISN). O valor refere-se à modernização das instalações de reprodução e maternidade em todo o país, em um contexto de mudanças regulatórias que impõem restrições cada vez mais rigorosas aos sistemas produtivos tradicionais.
A partir de 2029, os produtores alemães estarão proibidos de manter porcas confinadas nas áreas de inseminação artificial. Já em 2035, os sistemas de parto livre deverão se tornar padrão obrigatório nas maternidades. De acordo com a ISN, muitos produtores afirmaram não ter condições financeiras de arcar com os custos dessa transição e indicaram a intenção de abandonar a atividade. Diante desse cenário, a entidade voltou a pressionar os governos federal e estaduais por apoio financeiro e soluções consideradas viáveis. “Os produtores precisam de soluções práticas e economicamente sustentáveis por parte dos formuladores de políticas”, destacou a associação.
O estudo foi realizado nos últimos dois meses de 2025 e contou com a participação de 244 produtores, responsáveis por cerca de 100 mil matrizes. Em média, cada granja participante mantinha 400 matrizes, número superior à média nacional alemã, estimada em 295 matrizes por unidade produtiva.
No caso das áreas de reprodução, 165 produtores relataram a necessidade de investimentos médios de € 278 mil para adequação às novas normas, o que corresponde a aproximadamente € 696 por baia de matriz. A ISN ressalta que há grande variação nos custos, já que algumas granjas precisarão construir novas estruturas, enquanto outras poderão realizar apenas ajustes pontuais.
Os investimentos exigidos nas maternidades são ainda mais elevados. Entre 135 produtores que responderam a essa parte da pesquisa, o custo médio estimado para adaptação foi de € 1,35 milhão por granja, o equivalente a cerca de € 3.157 por porca. Somando as adequações necessárias nas áreas de reprodução e maternidade, os produtores que ainda não iniciaram o processo de conversão precisarão investir, em média, € 1,6 milhão por propriedade, ou quase € 4.000 por vaga de porca. Segundo a ISN, a alta nos custos está diretamente relacionada à escalada dos preços da construção civil nos últimos anos.
Considerando que algumas granjas já concluíram as reformas e outras optaram por encerrar as atividades, o investimento médio entre todas as 244 propriedades avaliadas foi estimado em € 1,24 milhão. Ao extrapolar esse valor para o conjunto das granjas alemãs, levando em conta o menor número médio de matrizes por unidade, a ISN chegou ao montante total de € 4,4 bilhões necessários para a adaptação da produção de leitões no país.
O levantamento também analisou o estágio de decisão dos produtores. Nas áreas de reprodução, 59% ainda não tomaram providências, seja por não terem solicitado licenças ou por estarem avaliando o encerramento da atividade. Apenas 14% já atendem às novas exigências ou estão em processo de reforma, enquanto outros 14% já solicitaram licença para conversão. Segundo a ISN, cerca de 41% das granjas tendem a permanecer na atividade de criação de matrizes.
Nas maternidades, o cenário é ainda mais desafiador. Menos de 5% das propriedades já cumprem os requisitos ou estão em fase de reestruturação. Outros 21% têm projetos prontos e aguardam licenças de construção. Aproximadamente 30% ainda não definiram o futuro da produção, e a ISN alerta que, para quase metade das granjas, a tendência é eliminar gradualmente a criação de suínos quando a conversão das maternidades se tornar obrigatória.
Referência: Pig Progress











