
O mapa da avicultura europeia está mudando. A Romênia, historicamente um importador, consolidou-se como autossuficiente e agora volta suas baterias para o mercado externo. Segundo relatório da Autoridade Veterinária e de Segurança Alimentar (VFSA), a produção avícola do país cresceu 35% na última década, atingindo 550 mil toneladas em 2024.
O crescimento é agressivo e recente: quase 80% do aumento nas exportações (que totalizaram € 270 milhões em 2024) ocorreu apenas nos últimos três anos. O motor dessa expansão são os pesados investimentos privados.
A Carmistin, maior produtora do país, inaugurou uma nova fábrica em Vâlcea (investimento de € 76 milhões) e projeta saltar sua produção para até 150.000 toneladas em 2026, com a meta de processar 100 milhões de aves/ano em cinco anos. A empresa já exporta para mais de 30 países e planeja triplicar sua receita externa.
Outra gigante, a Agricola, reportou um crescimento de 145% na produção desde 2009, após injetar € 250 milhões em expansão. Para o mercado global, a mensagem é clara: o Leste Europeu está se industrializando rapidamente para deixar de ser apenas consumidor e tornar-se um competidor relevante na exportação de proteína animal.
A relevância desse movimento torna-se ainda mais evidente quando analisada a balança comercial de alimentos do país. Segundo a VFSA, a Romênia registrou um déficit significativo de € 5 bilhões em alimentos e animais vivos em 2024, importando a grande maioria do que consome.
A avicultura, no entanto, consolidou-se como a grande exceção e o segmento de maior sucesso da indústria alimentícia local, atuando como o principal motor para tentar reverter esse cenário e equilibrar as contas externas através das exportações.
Referência: Poultry World











