
Enquanto o mundo agropecuário concentra seus esforços no combate ao H5N1 (que devastou granjas e fazendas leiteiras nos últimos anos), cientistas estão soando o alarme para o H9N2, uma variante do vírus da gripe aviária que está evoluindo rapidamente.
Um estudo recente realizado por pesquisadores de Hong Kong revelou que, na última década, o H9N2 adquiriu mutações genéticas específicas que permitem uma transmissão mais eficiente entre humanos e causam doenças mais graves. Até então, o foco estava quase exclusivamente no H5N1, que já infectou mais de 70 humanos nos EUA (a maioria ligada ao contato com aves e vacas) e causou mortalidade em mamíferos selvagens.
Os pesquisadores enfatizaram uma diferença operacional perigosa entre os vírus: o “silêncio” clínico. Enquanto o H5N1 costuma ser altamente letal para as aves (funcionando como um “alarme imediato” nas granjas devido à alta mortalidade), o H9N2 muitas vezes circula de forma assintomática ou com sinais leves nos lotes avícolas (baixa patogenicidade).
Essa característica de “inimigo oculto” permite que o vírus se espalhe amplamente sem ser detectado pelo produtor, dando-lhe tempo e hospedeiros suficientes para sofrer recombinações genéticas com outros vírus e acelerar sua adaptação aos mamíferos.
A descoberta de que o H9N2 está se adaptando para “furar” a barreira das espécies coloca pressão adicional sobre os sistemas de vigilância sanitária. Para o setor produtivo, isso significa que a biosseguridade não pode focar apenas em uma cepa.
A coexistência de múltiplos vírus com potencial pandêmico (H5N1 no campo e H9N2 evoluindo em paralelo) exige uma abordagem de “Saúde Única” (One Health) mais rigorosa do que nunca, com testes ativos em aves vivas e não apenas em animais mortos.
Referência: The New York Times












