
Por que o agronegócio brasileiro voltou a preocupar os Estados Unidos? O setor entrou novamente no centro das tensões comerciais após sinalizações do governo norte-americano sobre a possibilidade de novas tarifas a países que mantêm relações comerciais com o Irã, cenário que acende o alerta entre produtores, exportadores e autoridades brasileiras.
O Brasil está entre os países observados por Washington devido ao volume de comércio mantido com o Irã, especialmente no agronegócio. Embora ainda não exista um ato formal detalhando a aplicação das eventuais tarifas, o anúncio elevou o grau de incerteza para exportadores brasileiros.
O país foi um dos principais fornecedores de produtos agrícolas ao mercado iraniano em 2025, com destaque para milho e soja, que concentraram a maior parte das exportações brasileiras para aquele destino. Dados do comércio exterior indicam que o milho respondeu por cerca de 67% dos embarques ao Irã, enquanto a soja representou parcela relevante da pauta exportadora, reforçando a exposição do setor a possíveis sanções comerciais indiretas.
Histórico de tarifas amplia preocupação
O atual cenário se soma ao chamado “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos em 2025, quando o governo norte-americano elevou impostos de importação sobre produtos brasileiros, atingindo segmentos específicos do agronegócio, sob a justificativa de práticas comerciais consideradas desleais.
Apesar de revisões posteriores e da publicação de listas de exceção, parte da pauta do agro brasileiro permaneceu sujeita a tarifas, segundo avaliações de entidades representativas do setor. A manutenção dessas barreiras contribuiu para perda de competitividade e mudanças no fluxo comercial.
Especialistas apontam que produtos como café, suco de laranja e algumas proteínas animais, entre outros, figuram entre os mais sensíveis às medidas, em função do aumento de custos e da concorrência internacional.
Diversificação de mercados reduz impactos
Diante do ambiente mais restritivo no mercado norte-americano, exportadores brasileiros intensificaram a busca por novos destinos para a produção nacional. Países da Ásia, do Oriente Médio e da União Europeia ampliaram as compras de commodities brasileiras, como soja, milho e carnes, ainda que desafios logísticos e de demanda persistam.
Mesmo com a diversificação, dados do comércio exterior mostram que alguns segmentos registraram queda nas exportações ao longo de 2025, refletindo o efeito das barreiras tarifárias e do aumento das incertezas no comércio internacional.
Resposta brasileira e próximos passos
O governo federal e representantes do setor produtivo acompanham a situação de perto. Autoridades afirmam que avaliam os possíveis impactos das sinalizações feitas pelos Estados Unidos e estudam estratégias para mitigar riscos, ampliar mercados e fortalecer acordos comerciais com parceiros fora do eixo norte-americano.
Entidades do agronegócio também alertam que eventuais novas tarifas podem gerar efeitos inflacionários no mercado norte-americano, uma vez que o Brasil é fornecedor relevante de alimentos e matérias-primas agrícolas consumidas nos Estados Unidos.











