
Após a euforia política com o anúncio do Acordo Mercosul-UE, o mercado começa a fazer as contas. Um estudo detalhado do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) projeta que o tratado injetará US$ 10,9 bilhões no valor da produção agroindustrial brasileira.
O impacto nas carnes será estrutural, mas distinto para cada proteína: enquanto aves e suínos podem somar US$ 2,57 bilhões ao saldo comercial (crescimento de 19,7% nas exportações), a carne bovina deve adicionar US$ 521 milhões (alta de 5,1%).
Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, resume a dinâmica: “Para o boi, não é explosão de volume, é ganho de arrecadação”. A cota bovina de 99 mil toneladas (com tarifa de 7,5%) e, principalmente, a redução da tarifa da Cota Hilton (cortes nobres) de 20% para zero, posicionam o Brasil para vender carne premium com margem muito maior. O déficit de rebanho na Europa favorece esse acesso imediato.
Já para o frango, o ganho é de escala pura. A nova cota de 180 mil toneladas com tarifa zero chega em um momento em que a Europa sofre com Gripe Aviária, consolidando o Brasil como fornecedor estratégico de volume.
Para a carne suína, o desafio é maior: mesmo com a cota inédita de 25 mil toneladas (€ 83/ton), o Brasil enfrentará a concorrência interna fortíssima de produtores europeus eficientes, como Espanha e Alemanha.
No front social, o Ipea projeta um aumento de 8,9% no nível de emprego nos setores de aves e suínos no Brasil. O próximo marco crítico já tem data: a assinatura oficial está prevista para 17 de janeiro, no Paraguai, dando início à batalha pela ratificação no Parlamento Europeu.
Referência: Agro Estadão












