Acordo UE-Mercosul

Agricultores franceses protestam na Torre Eiffel e governo promete votar contra acordo com Mercosul

Descubra como agricultores franceses estão protestando na Torre Eiffel contra a proposta de acordo com o Mercosul

Agricultores franceses protestam na Torre Eiffel e governo promete votar contra acordo com Mercosul

A tensão atingiu o nível máximo na Europa. Nesta quinta-feira (08), Paris amanheceu sitiada por tratores da Coordenação Rural, o segundo maior sindicato agrícola da França. Os produtores marcharam até marcos icônicos como a Torre Eiffel e o Arco do Triunfo para pressionar contra o Acordo UE-Mercosul, cuja validação pelos embaixadores do bloco europeu está pautada para hoje (09).

Os agricultores alegam que a criação da maior zona de livre comércio do mundo inundaria a Europa com carne, açúcar, mel e soja sul-americanos, produzidos com padrões sanitários e ambientais que eles consideram “menos restritivos” e, portanto, uma concorrência desleal. “Não podemos acreditar que nossos jovens se estabelecerão nas fazendas, isso será inviável”, protestou Pascal, um pecuarista do centro do país.

Em resposta imediata à pressão das ruas, o presidente Emmanuel Macron oficializou, via redes sociais, que a França votará contra a assinatura do tratado. Macron argumentou que o acordo traria um ganho irrisório ao PIB europeu (0,05% até 2040) e exigiu três condições inegociáveis que o texto atual não atende:

  1. Cláusulas Espelho: Exigência de que produtos importados sigam exatamente as mesmas regras de produção da UE (antibióticos, pesticidas, etc.).
  2. Freio de Emergência: Mecanismo automático para barrar importações se houver variação de 5% no preço ou volume, causando perturbação no mercado europeu.
  3. Respeito às Normas: Garantia total de alinhamento com os padrões ambientais e de bem-estar animal europeus.

A decisão de Macron coloca a França em rota de colisão direta com a Comissão Europeia e sua presidente, Ursula von der Leyen, que buscavam assinar o pacto na próxima segunda-feira. O dia de hoje será decisivo na diplomacia global.

Referência: Rádio Itatiaia