
A Gessulli Agrimídia acompanhou de perto a celebração dos 40 anos do Colégio Brasileiro de Nutrição Animal (CBNA), realizada em São Paulo, em um encontro marcado por homenagens, reconhecimento institucional e reflexões sobre a evolução científica que transformou o setor nas últimas quatro décadas. A cerimônia reuniu nomes essenciais da nutrição animal no país, incluindo o primeiro presidente da entidade, José Eduardo Butolo, o atual presidente, Godofredo Miltenburg, e o presidente do Sindirações, Roberto Betancourt, todos em entrevistas exclusivas concedidas à Gessulli.
Butolo revisita a fundação e os desafios da década de 1980
Primeiro presidente do CBNA e protagonista da história da entidade, José Eduardo Butolo resgatou o cenário que antecedeu sua criação. Segundo ele, os anos 1980 marcaram “um Brasil em plena transformação”, com um setor agropecuário crescente, mas ainda dependente do conhecimento importado.
Butolo lembrou que modelos de formulação, referências científicas e tecnologias vinham quase exclusivamente do exterior. Os primeiros computadores começavam a ganhar espaço nas formulações de dieta, enquanto surgia a consciência de que o país precisava desenvolver conhecimento próprio sobre seus ingredientes — especialmente milho, soja e subprodutos.
“Sempre considerei e continuo considerando o Brasil como uma potência básica, porque produzimos alimentos que alimentam o mundo — e com qualidade”, afirmou.
A fundação do CBNA, em 5 de dezembro de 1985, nasceu justamente dessa necessidade: criar um fórum independente, técnico e científico, capaz de integrar pesquisadores, profissionais e empresas sem a interferência de interesses comerciais.
Ele recorda que a primeira assembleia ocorreu no escritório da empresa Anderson Creighton, em São Paulo, onde também foi eleita a diretoria pioneira que conduziu a entidade em seus primeiros anos, marcada por escassez de recursos, mas grande determinação.
Butolo destacou marcos estruturais da trajetória do CBNA:
- a conquista da sede própria;
- a criação do Colégio Latino-Americano de Nutrição Animal (CLAMA) em 2002, em parceria com a AMENA, do México;
- a realização de centenas de eventos científicos;
- e o reconhecimento oficial pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária, que autorizou a entidade a emitir o título de Especialista em Nutrição e Nutrologia de Animais de Estimação.
Em sua fala, o fundador homenageou companheiros de diretoria — muitos já falecidos —, reforçando que a história da entidade foi construída por esforço coletivo.
“O CBNA chega aos 40 anos mais forte, respeitado e preparado para continuar promovendo o avanço da nutrição animal na América Latina.”
Godofredo Miltenburg: “O Brasil é referência mundial”
O atual presidente do CBNA, Godofredo Miltenburg, destacou o protagonismo internacional da ciência brasileira.
“O Brasil está entre os três maiores polos de nutrição animal do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e da China. Nossa pesquisa é altamente respeitada internacionalmente”, afirmou.
Segundo Miltenburg, profissionais brasileiros atuam hoje em universidades e grandes empresas nos EUA e Europa, formulando dietas e participando do desenvolvimento científico global.
Ele reforçou também o papel integrador do CBNA:
“Quando nos reunimos na entidade, ninguém é empresa. Todos são CBNA. Professores, técnicos e profissionais de multinacionais e nacionais trabalham lado a lado.”
Roberto Betancourt: “2025 foi excepcional — e 2026 será ainda melhor”
Em entrevista exclusiva, o presidente do Sindirações, Roberto Betancourt, avaliou 2025 como um dos melhores anos para o setor de proteína animal e nutrição.
“Eu não me lembro de um ano tão bom. Todas as cadeias — aves, suínos, leite, corte, postura e piscicultura — fecharam com lucratividade, crescimento e baixa inadimplência.”
Betancourt destacou fatores que impulsionaram o bom desempenho:
- forte demanda global por proteína;
- recordes de exportação;
- consumo interno elevado;
- e custos de ração reduzidos, devido à abundância de milho, farelo de soja e DDG.
Ele lembrou que até o desafio sanitário de 2025 — um foco de influenza aviária — foi rapidamente superado, com o Brasil recuperando o acesso aos principais mercados, inclusive a China.
“O setor termina 2025 com nota 10, e 2026 promete ser ainda melhor. O Brasil é exemplo para o mundo, não apenas em produção, mas em sustentabilidade e responsabilidade socioambiental.”
A relevância histórica dos 40 anos
A presença da Gessulli Agrimídia nesse marco reforça seu compromisso com a cobertura técnica e jornalística dos principais acontecimentos do agronegócio brasileiro. Os 40 anos do CBNA celebram uma trajetória construída sobre pesquisa, cooperação e profissionalização, fundamentais para que o Brasil alcançasse seu papel atual como referência em nutrição animal.
O evento, repleto de homenagens e depoimentos, evidencia que o setor olha para o futuro com otimismo, preparando-se para novas demandas, tecnologias e desafios globais — sempre baseado em ciência, sustentabilidade e integração entre academia, empresa e cadeia produtiva.
A Gessulli Agrimídia segue acompanhando de perto esse movimento, registrando e difundindo os avanços que moldam o presente e o futuro da nutrição animal no Brasil e na América Latina.















