A tensão entre a União Europeia e os Estados Unidos cresce. A UE ameaça retaliação enquanto Trump sugere negociações.
União Europeia reage a tarifas dos EUA com ameaça de retaliação, mas Trump diz estar aberto a negociações

A União Europeia (UE) acusou os Estados Unidos nesta segunda-feira de resistir aos esforços para fechar um acordo comercial e alertou sobre a possibilidade de contramedidas caso nenhum entendimento seja alcançado para evitar as tarifas punitivas que o presidente Donald Trump ameaçou impor a partir de 1º de agosto.
Enquanto isso, Trump declarou estar aberto a novas discussões com a UE e outros parceiros comerciais antes que as novas tarifas de 30% entrem em vigor no próximo mês. Ele confirmou que autoridades da UE viriam aos EUA para negociações, afirmando que “eles gostariam de fazer um acordo diferente e estamos sempre abertos a conversas”.
A tensão escalou no sábado, quando Trump anunciou a imposição de uma tarifa de 30% sobre a maioria das importações da UE e do México, seguindo alertas semelhantes para outros países, como Japão e Coreia do Sul. Até o momento, a UE tem evitado medidas retaliatórias na esperança de negociar um resultado mais favorável. No entanto, ministros da UE, após uma reunião em Bruxelas na segunda-feira, pareceram mais propensos a revidar.
Leia também no Agrimídia:
- •Brasil e Costa Rica avançam em cooperação técnica e facilitação do comércio agropecuário
- •OMSA confirma Influenza Aviária em aves silvestres no Uruguai e reforça alerta sanitário na região
- •Alibem exporta carne suína para mais de 40 países e comercializa 160 mil toneladas por ano
- •Perfil do consumidor brasileiro muda em 2026 e exige novas estratégias do varejo
O ministro das Relações Exteriores dinamarquês, Lars Lokke Rasmussen, classificou a ameaça tarifária como “absolutamente inaceitável”. Maros Sefcovic, chefe comercial da UE, expressou frustração com a incapacidade de Washington de chegar a um acordo com seu maior parceiro comercial, afirmando que “são necessárias as duas mãos para bater palmas” e que os estados-membros da UE concordaram em tomar contramedidas caso as negociações fracassem. O ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, revelou que a UE já preparou uma lista de tarifas no valor de 21 bilhões de euros (US$ 24,5 bilhões) sobre produtos dos EUA.
A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, disse na segunda-feira que acreditava que os dois lados chegariam a um acordo sobre segurança antes do prazo final de 1º de agosto, e a Casa Branca esclareceu que as tarifas de 30% sobre o México não se aplicariam a produtos enviados sob o acordo comercial USMCA.
Impacto nos Mercados Europeus e Corrida por Acordos:
As ameaças de impostos geraram alarme na Europa, especialmente na Alemanha, a maior economia da UE. Friedrich Merz, chanceler alemão, advertiu que uma tarifa de 30% “atingiria profundamente a indústria exportadora alemã”. Volker Treier, chefe da Câmara de Comércio e Indústria Alemã, pediu ação rápida para evitar o colapso do comércio transatlântico. As indústrias europeias, como os produtores de vinho Chianti na Toscana, estão se preparando para o pior, buscando mercados alternativos na América do Sul, Ásia e África.
As ações europeias caíram na segunda-feira, com os setores de automóveis e bebidas alcoólicas entre os mais afetados, enquanto os índices americanos apresentaram pouca variação. A iminência do prazo de 1º de agosto desencadeou uma corrida entre governos do mundo todo para firmar acordos comerciais.
O principal enviado comercial da Coreia do Sul, Yeo Han-koo, indicou que um acordo “em princípio” pode ser possível dentro do prazo, e Seul pode estar aberta a permitir maior acesso dos EUA aos seus mercados agrícolas. A Coreia do Sul busca evitar tarifas “injustas” dos EUA sobre setores-chave para preservar a cooperação industrial. O país está em uma corrida para chegar a um acordo comercial e evitar uma tarifa de 25% imposta às suas exportações, o mesmo nível enfrentado pelo Japão.





















